Números e letras não combinam

iG Minas Gerais |

Hélvio
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Um levantamento divulgado em âmbito nacional na semana passada destacou Belo Horizonte como a cidade com o maior número de livrarias, em média, por habitante no país. O trabalho da Associação Nacional de Livrarias (ANL) apontou que BH tem 173 livrarias, o que, para a população de 2.395.785 pessoas, representa 13.848 habitantes por livraria. Nenhuma outra cidade brasileira chega a isso. A mais próxima é Lajeado (RS), com 14.640 e depois nossa mineira Viçosa, que tem 14.667. São Paulo tem 35.664 pessoas por livraria, e o Rio de Janeiro, 24.865. A Unesco considera ideal a média de uma livraria para cada 10 mil habitantes, ou seja, o Brasil não está lá, mas ainda assim Belo Horizonte é a mais bem colocada.   Percebo que a notícia aparentemente alvissareira precisa de uma melhor apuração e depuração porque, ao que a realidade nos mostra grosso modo, Belo Horizonte tem, sim, um número significativo de leitores de livros, mas sem nenhum indicador mais palpável que a faça sobressair assim neste segmento em relação ao país.   Em busca de informações mais detalhadas, consultei a assessoria da ANL, que ressaltou a natureza desse trabalho como um levantamento no banco de dados da Associação, juntamente com o apoio de informações coletadas pela Rede Leitura de Livrarias. Ou seja, os números não são de uma pesquisa científica de fato, como noticiado em diversos veículos nacionais na semana passada. Daí busquei informações na Câmara Mineira do Livro sobre a quantidade de livrarias em Belo Horizonte. O “Guia do Livro em Minas Gerais”, produzido periodicamente pela Câmara, está em fase de atualização para a bienal mineira do livro, que será em novembro. A última edição dele, de 2012, aponta que eram, naquele ano, 233 livrarias na capital mineira. Mesmo que parte delas tenha fechado de lá para cá, esse número deve continuar mais alto que as 173 da ANL, e estaríamos ainda mais próximos dos 10 mil. Também conversei informalmente com alguns donos de livrarias, que afirmaram desconhecer a metodologia usada no levantamento para o qual não foram consultados, mas de modo geral também não consideram que esse índice signifique que aqui se venda uma maior quantidade de livros ou que tenhamos um maior número de leitores. Eles questionaram ainda se a ANL estava somando, no levantamento, as papelarias. A assessoria informou que abrange, sim, casos de livrarias que também são papelaria, mas com foco primeiro em livro. Enfim, números são frios e não será por eles que Belo Horizonte se tornará uma cidade de mais leitores, mas sim pelas letras, seara em que trilhamos bom caminho pela sequência de eventos literários que temos, por propostas como a criação de uma Associação de Livrarias de Rua de BH, por projetos como distribuição de livros em praças, pelo surgimento de novas editoras e por outras ações em conjunção em torno do livro.

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