Encontro com as cores de Portinari

“Recosturando Portinari” propõe uma maior aproximação do legado de um dos maiores artistas brasileiros

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Painel. Restauração de “Civilização Mineira”, de Portinari, também é retrata em exposição
Leo Lara
Painel. Restauração de “Civilização Mineira”, de Portinari, também é retrata em exposição

Ronaldo Fraga revela ter dedicado, nos últimos seis anos, boa parte de sua atenção ao legado dos artistas e escritores brasileiros da fase modernista. Assim, ele já produziu criações inspiradas nos escritos de Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, além das pinturas de Athos Bulcão. Recentemente, ele elegeu Cândido Portinari, cuja obra pictórica o levou à sua mais recente coleção, “O Caderno Secreto de Cândido”, apresentada no São Paulo Fashion Week, em abril.

Esta, que pode ser vista a partir de amanhã, na mostra “Recosturando Portinari”, montada na Casa Fiat de Cultura, vai estar em exibição ao lado de instalações concebidas para ocupar quatro salas do quarto andar do prédio localizado no Circuito Cultural Praça da Liberdade. A ideia, de acordo com ele, é conduzir o público a um e trabalho do homenageado.

“Eu me interesso especialmente por estimular o contato com a preciosidade das obras desses artistas, que nos legaram a visão de um Brasil moderno. Como Graciliano Ramos ou Guimarães Rosa, Portinari nos coloca diante de cenas típicas de um país marcado por suas sutilezas e desigualdades”, afirma Ronaldo Fraga.

A tarefa de aproximar o visitante do imaginário apresentado pelo pintor, ao seu ver, não é difícil. Para o estilista e designer, o olhar do artista sempre voltado à poesia em torno de situações cotidianas, como as brincadeiras de um grupo de crianças numa cidade do interior, resulta em imagens que revelam grande poder de comunicação, e sensibilidade.

Simplicidade. “Portinari dizia que suas pinturas eram guiadas por uma simplicidade, que de fato é muito grande. Basta nos colocarmos diante delas para percebermos isso”, observa ele, que relaciona essa qualidade das pinturas à própria trajetória de Portinari.

“Essa escolha, acredito, reflete bastante as suas origens. Filho de lavradores, o sonho de consumo dele quando criança era desenhar. Sem recursos, o único lugar que ele conseguia fazer isso, em Brodowski, era no armazém de um português. Lá, ele riscava nas folhas de papel que o comerciante depois usava para embalar os produtos. Mesmo quando está em Paris, na década de 1930, ele diz que continua sendo aquele filho de lavradores. Por isso nunca abriu mão de retratar, de maneira simples, os cenários ligados a um Brasil rural”, observa Ronaldo.

Foi, portanto, a partir do desenho que o pintor viria se expressar na infância, registrando tudo que vivenciava no seu dia a dia. “Ele fazia uma espécie de diário com aqueles desenhos e foi sendo tão reconhecido pelo que fazia que, aos 9 anos, Portinari recebeu um convite do padre da cidade para redesenhar a nave da igreja. É depois disso que as pessoas resolvem fazer uma vaquinha para que ele pudesse estudar no Rio de Janeiro”, recorda o estilista.

Agenda

O quê. Exposição “Recosturando Portinari”

Quando. De amanhã a 26/10, de 3ª a 6ª, das 10h às 21h; sáb. e dom., das 10h às 18h

Onde. Casa Fiat de Cultura (praça da Liberdade, 10, Funcionários)

Quanto. Entrada franca

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