Esperança pela paz é sem fim

Jornalista esportivo israelense foi surpreendido por alarme de bomba durante entrevista

iG Minas Gerais | Josias Pereira |

Liga. Time do brasileiro Gustavo Boccoli, Maccabi Haifa tem uniforme fornecido pela Nike e tem o patrocínio da montadora Honda
[CREDITO]fotos oren josipovich/divulgação
Liga. Time do brasileiro Gustavo Boccoli, Maccabi Haifa tem uniforme fornecido pela Nike e tem o patrocínio da montadora Honda

“Eu queria que cada dólar gasto na guerra ou na aquisição de armas e bombas fosse investido em campos de futebol. Com certeza teríamos um mundo melhor”. É com essa declaração que o jornalista Oren Josipovich, do portal esportivo israelense Walla!, relata a triste realidade do conflito entre Israel e Hamas na faixa de Gaza, um embate militar-ideológico que já dizimou centenas de civis e tem raízes profundas no ódio velado e na disputa territorial entre os povos vizinhos. Enquanto falava à reportagem de O TEMPO, o jornalista foi surpreendido pelo estridente som da sirene que invadiu as ruas de Tel Aviv, na semana passada, alertando sobre um possível foguete direcionado à capital do Estado de Israel. 

“Os lugares ao Sul do país são os mais afetados pelos ataques, e Tel Aviv, cidade em que eu vivo, um pouco menos, Maccabi menos ainda. O Exército de Israel desenvolveu a ‘Cúpula de Ferro’, que consegue interceptar a maioria dos foguetes lançados pelo Hamas, mas a situação é muito desconfortável. Se soar um alarme de bomba, você tem entre 30 e 90 segundos para procurar um lugar seguro. Agora, imagine se esse alarme toca no meio de um treinamento, ou até mesmo de um jogo de futebol ou qualquer outro esporte?”, indaga Oren, que esteve no Brasil recentemente cobrindo a Copa do Mundo. Desabafo. Por conta do conflito, iniciado no mês passado, muitos jogadores de futebol e esportistas estrangeiros que atuam em Israel já anunciaram publicamente que pensam em deixar o país. Sobre o fato, Oren faz um desabafo. “Israel sempre esteve em conflito, e o país tem sido afetado com isso de tempos em tempos. Geralmente, isso faz com que os jogadores estrangeiros tenham medo e não queiram permanecer aqui. Muitos israelenses não os entendem, mas eu sim. Nós vivemos sob essas condições por toda a nossa vida”, disse Oren. O jornalista não reclama da situação, mas faz questão de destacar que o país não é feito de pessoas ruins.  “É importante que as pessoas saibam que, em 99% do tempo, Israel e as grandes cidades do nosso país são lugares em que os jogadores de futebol amam viver, mas esses estrangeiros não estão acostumados a viver assim. Eu compreendo todos que não concordam em estar aqui. Ninguém neste mundo deveria viver sob ataque, não importa o lado ou a causa defendida”, lamenta Oren. Intolerância enraizada. “Queria que toda essa bagunça acabasse logo. Quando eu era pequeno, não tinha muita noção do que era isso. Mas agora eu já estou um pouco velho e, definitivamente, não quero viver assim”, completa o repórter, que, apesar de ser contra os ataques, diz que jamais manteve contato com um jornalista esportivo palestino. 

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