Tem morango na terra do café

Minas Gerais é líder na produção da fruta e responde atualmente por 55% da safra do Brasil

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Flores. As raízes de José Sávio de Souza estão no morango, que produz há 18 anos. Com a melhoria na gestão após a criação da Cooperativa de Produtores de Alfredo Vasconcelos, quintuplicou os ganhos e diversificou para flores. Com maior rentabilidade, elas são responsáveis por 80% do faturamento.
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Flores. As raízes de José Sávio de Souza estão no morango, que produz há 18 anos. Com a melhoria na gestão após a criação da Cooperativa de Produtores de Alfredo Vasconcelos, quintuplicou os ganhos e diversificou para flores. Com maior rentabilidade, elas são responsáveis por 80% do faturamento.

Alfredo Vasconcelos. De cada cem morangos consumidos no Brasil, pelo menos cinco saem de Minas Gerais. O Estado do café e do pão de queijo também lidera a produção dessa fruta. Por ano, são mais de 86 mil toneladas, das quais cerca de 90% estão concentradas no Sul de Minas. Mas foi em Alfredo Vasconcelos, cidade na região Central com menos de 7.000 habitantes, que a reportagem encontrou um grupo que, em cinco anos, conseguiu triplicar o preço da fruta e fazer o faturamento deslanchar, juntando as forças dos pequenos.

Em 2010, 57 produtores criaram a Cooperativa Agropecuária dos Produtores de Alfredo Vasconcelos (Cooprav). O diretor financeiro José Sávio de Souza conta que, antes, tinham dificuldade de transportar e de armazenar a produção. Hoje, eles contam com um caminhão, compraram uma câmara resfriada para guardar o morango congelado e abriram mercado para fornecer para a indústria de polpa. “Como não tínhamos como estocar, os morangos menores eram, muitas vezes, jogados fora. Agora, o que era descartado virou receita”, conta Souza. O contêiner tem capacidade de armazenar até 30 toneladas. “Sozinho, um produtor pequeno não consegue fazer esse investimento”, afirma.

Em 2013, foram 806 kg de morango in natura e 153 mil kg de congelados entregues a uma distribuidora. Com a ajuda do Sebrae, receberam treinamento, aprenderam mais sobre gestão e criaram a marca Frutano.

Entre os principais avanços está a criação de uma central de negócios – uma loja que compra em conjunto – , já que antes eles compravam individualmente. Segundo Souza, a economia nas compras chega a 40%.

Próximo passo. Agora, o grupo está estudando uma nova forma de cultivo, já usada em outras regiões: o “slab”. “A vantagem é que não há contato direto do fruto com o solo, porque a produção é suspensa, hidropônica e isso reduz riscos de pragas. Outra grande vantagem é na hora da colheita, pois não é preciso ficar agachado para fazê-la”, explica o técnico agrícola Elinaldo da Silva Amorim.

O superintendente do Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes) da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Pierre Vilela, explica que o investimento é alto, e, por isso, tem que ser bem mensurado. “Mas a área plantada pode até dobrar, porque um mesmo metro comporta duas vezes mais plantas”, destaca o superintendente.

A repórter viajou a convite do Sebrae.

Preço

Mercado. Antes da cooperativa, o quilo do morango era vendido por R$ 0,80. Agora, o preço médio é de R$ 2,43. O faturamento em 2013 superou a casa de R$ 4 milhões.

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