Delivery e pão na porta fazem crescer o lucro de padarias

Comodidade e preço competitivo garantem a manutenção da entrega de pães, bolos e salgados

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Na mão. Rodrigo Carneiro (foto) e seu irmão Adriano, donos de padaria no   Caiçara, investiram em delivery e conquistaram clientes
DENILTON DIAS / O TEMPO
Na mão. Rodrigo Carneiro (foto) e seu irmão Adriano, donos de padaria no Caiçara, investiram em delivery e conquistaram clientes

 

Nas tradicionais ladeiras dos bairros antigos de Belo Horizonte, como Sagrada Família, Santa Efigênia, Cachoeirinha, Santa Tereza, Floresta, Lagoinha e Padre Eustáquio, os moradores ouvem, no fim da tarde, a buzina que anuncia a chegada do padeiro. Em suas bicicletas – ou, mais modernos, sobre uma moto –, seus carros-chefe de vendas são os pãezinhos de sal ou doce, mas bolos, broas, roscas e salgados também são encontrados. “Vendo por dia mais ou menos 800 pães”, diz Márcio Cruz Caldeira, 22, que está na profissão desde os 14 anos e atua na região Leste de Belo Horizonte. Além dos pães, ele ainda comercializa cerca de 80 unidades de outros produtos diariamente, o que garante uma renda mensal entre R$ 1.500 e R$ 2.000.

Já Eliseu Barros Viana, 32, que está na profissão há 15 anos, modernizou-se e hoje distribui pães do bairro Cachoeirinha ao Floresta de motocicleta.

Para os clientes, o serviço consegue aliar qualidade, comodidade e preço. “O pão é gostoso, fresquinho e na padaria sai mais caro”, explica Bárbara Helena, 26, dona de casa e cliente de Márcio Caldeira. “Sem contar a facilidade”, completa o engenheiro Daniel Gonçalves, 64. Ele compra o pão na bicicleta pelo menos uma vez por semana. “Muito melhor que a padaria, que é longe daqui”, opina Gonçalves.

A tradição é aliada da produção. Um padeiro na bicicleta pode render, por mês, um faturamento de mais de R$ 6.000 para o fabricante, considerando apenas o pão francês. Diogo Resende é um dos donos da padaria BH Pão, no bairro Santo André, e fornece produtos para diversos padeiros em motos e bicicletas. “Do faturamento da padaria, de 10% a 20% vem hoje desse serviço”, explica Diogo. Os “bike-padeiros” não são empregados da padaria, são revendedores autônomos.

Bom preço. Pão fresquinho, na mão e ainda barato. Mesmo sendo vendido na unidade, e não por quilo, o pão francês dos padeiros é, na média, mais barato que o da padaria. Eles comercializam a unidade por R$ 0,45. Já o quilo do pãozinho na capital, de acordo com pesquisa realizada pelo Procon-MG e pelo Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), está em torno de R$ 10. A unidade do pão de 50g custa, portanto, R$ 0,50 na média.

Diferencial. No bairro Caiçara, a padaria Pão Pão também mantém um motoboy para atender sua clientela. Para o proprietário, Adriano Carneiro Cruz, o serviço é importante na fidelização de clientes diferenciados, da terceira idade. “Dos meus clientes do delivery, de 60% a 80% são idosos. E como são clientes fidelizados, muitas vezes vamos além dos serviço da padaria. A gente pega remédio na farmácia, jornal, até legume no sacolão, para atendê-los”, afirma Cruz. Em sua loja, cerca de 12% do faturamento vem desse tipo de entrega. Segundo o empresário, outra vantagem “é que, com a entrega, o tíquete médio aumenta”, diz.

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