Semelhanças na propaganda

Na corrida pelo governo, Pimentel (PT) e Pimenta (PSDB) apostam na experiência como gestores

iG Minas Gerais | Larissa Arantes |

A estreia da propaganda eleitoral na televisão para o governo de Minas, nessa semana, marcou o início, para o eleitor, da apresentação de propostas efetivas de Fernando Pimentel (PT) e Pimenta da Veiga (PSDB).

Até então, as promessas dos dois principais nomes que disputam o Palácio Tiradentes estavam sendo mantidas a sete chaves, e em poucas ocasiões, antes dos programas na TV e no rádio, os dois falaram em números concretos para as diversas áreas da administração nos planos de governo.

“Nós queremos mostrar propostas. O nosso programa vai ter como núcleo a apresentação de propostas, novas ideias para Minas”, destacou Pimenta na última sexta-feira.

Pimentel também falou sobre as imagens dos primeiros programas. “Quero colocar minha experiência a serviço de Minas, reduzir a distância entre as pessoas e oferecer melhores serviços públicos. O futuro do nosso Estado depende da participação de todos”, disse o petista na primeira exibição em horário eleitoral.

Em alguns momentos, as características das propagandas se assemelham. Ambos destacam a participação popular como ponto fundamental de suas gestões e relembram a época em que foram prefeitos de Belo Horizonte.

Os adversários também enfatizaram o engajamento contra a ditadura (1964-1985) e mostraram imagens da época. Uma das fotos utilizadas por Pimentel é um registro famoso de quando ele e a presidente Dilma Rousseff, também do PT, foram julgados pelo regime.

Os pontos similares das duas propagandas levam os candidatos a uma disputa sobre a paternidade do Orçamento Participativo. Pimenta relembra que, durante gestão como prefeito, no fim da década de 80, criou o Programa Participativo de Obras Prioritárias (Propar), que consultava a população sobre obras.

O PT também apostou em projeto similar à frente da capital e, em 1993, na gestão de Patrus Ananias, lançou sua versão do projeto com a marca Orçamento Participativo. Segundo o Portal da Transparência da Prefeitura de Belo Horizonte, as primeiras intervenções na cidade por meio do OP começaram em 1994.

Diferenças. Confirmando as expectativas, as inserções petistas têm criticado o governo de Minas, citando dados e também obras que, segundo a campanha, não foram concluídas. Já o programa tucano tem apostado na boa avaliação da atual gestão tucana em Minas. Na última pesquisa DataTempo, de 8 de agosto, 17,6% dos entrevistados consideraram a atual gestão “boa”, e 32,5%, “regular”.

Já em relação à exibição dos padrinhos políticos, Pimenta e Pimentel divergem. Aécio Neves (PSDB) aparece com mais frequência como apoiador de Pimenta do que a presidente Dilma no programa local do PT. Região Norte terá destaque

Pimenta da Veiga prometeu investir nas localidades mais pobres com o objetivo de acabar com as diferenças regionais em Minas. “O Norte inteiro e, inclusive, o Rio Doce terá sempre mais investimento público do que a região mais desenvolvida de Minas para que haja equilíbrio em todas as áreas, na saúde, na educação, na infraestrutura”, destacou ele, em caminhada ontem em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce.

Para reforçar a economia da região, o tucano pretende criar “condições de crédito e tributárias” para atrair mais empresas. “Nós queremos ativar muito a economia do Vale do Rio Doce. Vamos atrair investimentos para cá e vamos buscar que as empresas instaladas aqui ampliem seus negócios”, completou.

O candidato ao Senado e ex-governador de Minas, Antonio Anastasia, também esteve na cidade. Questionado se a campanha tucana aposta na transferência de votos dele para Pimenta, Anastasia disse estar “otimista”. “Nós formamos um grupo político, chefiado em Minas pelo senador Aécio Neves. É natural que Pimenta, participando desse grupo, e também com suas propostas, vá subindo com a campanha na televisão e com a campanha de rua”.  Falta de ações é criticada

Em visita ontem ao Vale do Jequitinhonha, o candidato petista ao governo de Minas Gerais, Fernando Pimentel, criticou as ações do governo do Estado para a região. “Nos últimos 12 anos, o Vale do Jequitinhonha não foi prioridade para o governo do Estado. Agora, no nosso governo, será”, afirmou. Pimentel apontou os problemas que considera mais graves. “O primeiro é o da seca, da água. Em 12 anos, o governo do estado não criou nenhuma estratégia, nem fez nenhuma barragem. É isso que vamos fazer assim que chegarmos ao governo do Estado”, prometeu.

O petista esteve nas cidades de Capelinha, Carbonita e Minas Novas, onde se reuniu com vereadores na cidade. O grupo entregou uma lista com demandas para o candidato dentre elas a pavimentação da BR-357 no trecho que liga Minas Novas a Virgem da Lapa e a construção de uma barragem no município.

“Não foram resolvidos problemas estruturais, as estradas não foram melhoradas, a atração de empresas pra cá ficou em débito com o desenvolvimento econômico. Temos uma legislação tributária em Minas que expele as empresas daqui em vez de atraí-las. Temos de mudar tudo isso”, defendeu. 

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