Vida moderna faz consumo de remédio para dormir disparar

Esses medicamentos figuram como uma das principais causas de intoxicação humana

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Rivotril. O consumo no Brasil ultrapassou os 13,8 milhões de caixas em 2013
ROCHE LABS / DIIVULGACAO
Rivotril. O consumo no Brasil ultrapassou os 13,8 milhões de caixas em 2013

Para conseguir enfrentar a agitação e a ansiedade da vida moderna sem passar as noites em claro, os brasileiros recorrem cada vez mais a um arsenal químico. Nos últimos dez anos, o consumo do Alprazolam – tranquilizante mais consumido no Brasil – cresceu, assustadoramente, 1.287%, saindo de 442,7 mil caixas em 2004 para 5,7 milhões em 2013. O levantamento foi feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com exclusividade para O TEMPO. Apesar de pertencer à classe dos anticonvulsivantes, o Rivotril (clonazepam) é comumente receitado como sedativo, e seu consumo ultrapassou os 13,8 milhões de caixas em 2013.

A forte alta no uso dos tranquilizantes e sedativos-hipnóticos preocupa médicos e profissionais da área da saúde. Somente nos últimos 12 meses (de julho de 2013 a junho de 2014) esses remédios ultrapassaram as 18,5 milhões de unidades vendidas no país, um avanço de 42% em relação a 2010 (13 milhões), segundo dados do IMS Health, instituto que audita o mercado farmacêutico.

Além do risco de sérios efeitos colaterais, a preocupação também passa pelo aumento da dependência já constatada em consultórios e postos de saúde.

“Os benzodiazepínicos (ansiolíticos) estão sendo receitados por muitos médicos, e isso está virando um problema, porque as pessoas se viciam, o que acaba levando a intoxicações e tentativas de suicídio. O Rivotril é um medicamento barato e bastante receitado. Vivemos em uma sociedade imediatista que quer buscar saúde na farmácia”, critica Rosany Bochner, coordenadora do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox).

Os medicamentos são uma das principais causas de intoxicação no Brasil. Somente em 2012, foram registradas 31,28 mil notificações por medicamentos em todos os 36 Centros de Assistência Toxicológica no país, 6.118 a mais do que em 2011, segundo o Sinitox. “É apenas uma pontinha do iceberg do que existe no país”, diz Rosany. (Veja o infográfico).

Preocupações. Pesquisadores do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) e da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram que 90 mil visitas de adultos aos prontos-socorros foram provocadas pelas reações adversas a medicamentos, em especial ao Ambien (zolpildem); e mais de 19% resultaram em internações. Além disso, a pílula para dormir, que é uma das mais populares nos EUA, produz efeitos colaterais perigosos e está associada a assassinatos.

No Brasil, a versão sublingual do zolpidem é vendida sob o nome comercial de Patz SL, cuja formulação permite induzir o sono em apenas nove minutos, duas vezes mais rápido que os comprimidos orais. Procurado pela reportagem, o laboratório EMS, responsável pela fabricação da droga no país, limitou-se apenas a informar que o medicamento não se assemelha em nada com o zolpidem.

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