Precocidade no heavy metal

Formada por garotos com idades entre 12 e 13 anos, banda Unlocking the Truth já desponta para o sucesso

iG Minas Gerais | Carrie Battan |

Crianças. Os três garotos estudam na mesma escola e dizem que seu público alvo não são crianças
CHAD BATKA
Crianças. Os três garotos estudam na mesma escola e dizem que seu público alvo não são crianças

Unlocking the Truth, trio de pré-adolescentes negros do Brooklyn que recebeu ampla cobertura da mídia recentemente depois de assinar um contrato lucrativo, é uma boy band, mas apenas no sentido mais literal do termo. Seria mais adequado chamar o grupo de anti-boy band. Esses meninos não são produto de uma máquina de fazer estrelas como a Disney, nem atraem multidões de fãs desvairadas; em vez de música pop, eles têm um rock contundente que lembra o início do Metallica.

São muito específicos sobre suas intenções musicais. “Fazemos heavy metal”, disse o guitarrista da banda, de 13 anos, Malcolm Brickhouse, numa tarde recente, sentado em um banco na escola pública 282 no bairro Park Slope, ladeado por seus companheiros de banda, o baterista Jarad Dawkins, de 12 anos, e o baixista Alec Atkins, de 13. “Não temos um público infantil”, diz. Atkins acrescentou: “Queremos fazer o rock voltar ao que era nos anos 80. Não queremos saber de pop ou rap”. Os rapazes já abriram shows de hard rock para grupos como Queens of the Stone Age e Scar the Martyr, apareceram no Coachella e no Vans Warped Tour e compartilham seu grupo de agenciamento com bandas de destaque como Guns N’ Roses e Motörhead, inclusive abrindo o show desta em abril.

Jolene Cherry, executiva-chefe e fundadora do Cherry Party, joint venture recém-formada com a Sony que assinou com o grupo, preferiu não discutir os termos do acordo, mas segundo relatos publicados, ele inclui um adiantamento de US$ 60 mil para o primeiro álbum, com o valor aumentando para cada lançamento sucessivo, totalizando US$ 1,78 milhão em seis álbuns, desde que as vendas alcancem números pré-determinados. Os rapazes têm um contrato para um livro com a Penguin e há planos para filmar um documentário a la “One Direction: This Is Us”. Brickhouse e Dawkins, que se conheceram na igreja quando pequenos, tocam juntos desde a escola primária e são praticamente autodidatas (Atkins, que vive em Crown Heights, juntou-se ao grupo há dois anos).

As mães dos meninos disseram que o interesse deles pelo heavy metal foi motivo de preocupação no início. “Pensei que, se fossem tocar alguma coisa, seria R&B e pop”, disse Tabatha Dawkins. “E quando ouvi a música deles pensei: ‘Oh meu Deus, tenho que levar meu filho de volta para a igreja’”. A mãe da Brickhouse, Annette Jackson, secretária e uma das agentes da banda, acrescentou: “Para mim, a coisa era tipo ‘só não toque aquela música que fala sobre matar a mãe’”. Quando recentemente seu filho pediu para fazer uma tatuagem, ela sugeriu que ele a desenhasse em si mesmo antes.

Se o recente sucesso os afetou, não demonstram, e eles pareciam bem à vontade no pátio da escola PS 282. Gostam de brincar juntos, como um bando de gatinhos inquietos.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave