Uma voz mineira em Berlim

Natural de Belo Horizonte, cantora lírica Isabela Santos se firma na Alemanha, cantando em importantes óperas

iG Minas Gerais | manoella barbosa |

Momentos. Rita ao lado, durante ensaio de uma ária, em Berlim. Premiada no concurso Jovem Músico BDMG e no Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão, soprano já se a apresentou em importantes casas alemãs, como aÓpera de Neukölln
Arquivo pessoal
Momentos. Rita ao lado, durante ensaio de uma ária, em Berlim. Premiada no concurso Jovem Músico BDMG e no Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão, soprano já se a apresentou em importantes casas alemãs, como aÓpera de Neukölln

Berlim, Alemanha. Ao que tudo indica, Rita gostará de música. Ela ainda não tinha nascido quando a reportagem falou com sua mãe pela primeira vez. “Eu canto muito ‘Rita’, de Chico Buarque, para ela!”. A voz que conta é adocicada, compassada. Não fala alto nem baixo, nem depressa nem devagar. A cantora lírica Isabela Santos, belo-horizontina de 31 anos, fala bonito. Bonito como se imagina uma solista de renomados grupos como Coral Lírico de Minas Gerais, Coro de Câmara da UFMG e Coral Sesiminas.

É a primeira gravidez da cantora, radicada em Berlim, capital da Alemanha, desde agosto de 2010. Isabela tem uma carreira bem-sucedida. A soprano foi premiada duas vezes, em 2001 e 2007, pelo concurso Jovem Músico BDMG. Em 2006, foi a vez de receber o título de Cantora Jovem no 7º Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão.

“Escolhemos Rita não somente por gostarmos do nome, mas também por ser de fácil pronúncia e de bom significado em qualquer uma das línguas que falamos”, diz, de volta ao aqui e agora. Escolha inteligente, já que dentro do apartamento em Kreuzberg, bairro-palco da cultura alternativa da capital alemã e onde a mineira vive, são falados quatro idiomas: alemão, português, inglês e italiano.

Trajeto. O caminho de Belo Horizonte até Berlim começou em dezembro de 2009. Foi quando veio o convite do maestro belo-horizontino Márcio da Silva para uma série de concertos no Sul do país. Na ocasião, Isabela interpretou peças como “Ave-Maria”, de Schubert, e “Missa Brevis em Sol”, de Mozart.

Casada com um analista de negócios italiano e neta de portugueses, Isabela gosta de idiomas: “Com a língua alemã eu tive contato muito cedo, já que é obrigatória no estudo de música clássica”, afirma. A fluência no alemão certamente foi um ponto a favor da cantora, filha de jornalistas, quando, em 2013 ela subiu aos palcos da Ópera de Neukölln para encenar a primeira versão da “Ópera do Malandro” no idioma.

“Estudamos a fonética dos idiomas, de forma que dá para cantar em vários deles”, frisa a soprano, com tamanha atitude na voz que quem escuta acredita na facilidade em aprender idiomas. “Além do alemão e do italiano, já cantei árias de ópera e oratório em árabe e em japonês”, conta Isabela que, nesse momento, até ela mesma ri, como que percebendo o mérito do que faz.

O interesse por idiomas não para por aí. A mineira criada no bairro Luxemburgo dá aulas de técnica vocal para um coral especial em Berlim: o coral Gofenberg & Chor, formado por 25 homens e mulheres entre 20 e 80 anos de idade, e que cantam exclusivamente em iídiche, dialeto do alemão falado por comunidades judaicas tradicionais.

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