A simples arte de amar... A literatura - Paulo Coelho XX

iG Minas Gerais |

Sim, existem editores que gostam de livros, mas em geral são comerciantes que preferem dinheiro vivo
Intervenção sobre foto de registradora antiga
Sim, existem editores que gostam de livros, mas em geral são comerciantes que preferem dinheiro vivo

NOJEIRA “Calcula-se que, no corpo de um adulto, exista cerca de 1 quilo de micróbios. O papel importante desses seres microscópicos fica ainda mais evidente quando comparamos o número de células humanas e microbianas de nosso corpo. Estimativas dizem que há 10 vezes mais micróbios em nosso corpo do que nossas próprias células. Em outras palavras, quanto ao número de células, somos 90% micróbios e apenas 10% humanos. Mas a coisa não para por aí. Assim como os humanos, esses micro-organismos também têm seus genes, que determinam como eles vivem e interagem com outros organismos. Se calcularmos o número de genes microbianos presentes em nosso corpo, chegamos à impressionante conclusão de que abrigamos 100 vezes mais genes microbianos do que humanos. Assim, em termos de números de genes, somos 99% micróbios e apenas 1% humanos.” (Luís Caetano Martha Antunes, revista “Ciência Hoje”, julho 2014) Conclusão: Paulo Coelho é 99% micróbio e apenas 1% humano. PAULEIRA “Em seu livro ‘A Origem das Espécies’ (1859), o inglês Charles Darwin (1809-1882) diz que todas as espécies têm potencial para dominar a Terra com suas populações e só não o fazem porque são contidas pelo que Darwin chamou de ‘luta pela existência’. Esta ocorre entre indivíduos da mesma espécie ou de espécies diferentes, por meio de processos de competição, predação, parasitismo e doenças, principalmente. Essas interações biológicas dificultam o adensamento da população de um animal ou vegetal, ao eliminar grande parte dos descendentes gerados e afetar a reprodução dos sobreviventes.” (Flávia Maria da Silva Carmo, France Maria Gontijo Coelho, Helder Ribeiro Freitas, Carlos Frankl Sperber e Og de Souza, idem, ibidem) Conclusão: a Bienal do Livro de São Paulo é uma predadora bem-sucedida. TREMEDEIRA No Estado de São Paulo existem 625 editoras, 500 delas concentradas na região metropolitana da capital (Bruno Silva d’Abruzzo, editor, distribuidor e escritor, por telefone). Se extrapolarmos esses dados para o Brasil, supondo que SP detenha 55% do total de editoras do país, teremos 906,25 produtoras de livros atuando entre nós, ficando a fração 0,25% por conta de uma empresa editorial que está fechando as portas neste exato momento. Além disso, e chutando, eu diria que, das 281 editoras restantes, pelo menos 181 estão no Rio de Janeiro, 35 em Minas, 25 no Sul, 20 no Nordeste e as demais espalhadas pelos outros estados. Conclusão: editar livros de literatura é dar murro em ponta de faca. TORNEIRA O grande comprador de livros no Brasil é o Ministério da Educação, que acredita na importância da leitura para o desenvolvimento intelectual, social e econômico do país. No cumprimento dessa tarefa, gasta bilhões de reais (não tenho dados precisos), divididos entre didáticos, paradidáticos e de literatura, entregues com fartura e de graça às redes públicas de ensino de norte a sul e de leste a oeste. Trata-se do maior programa desse tipo no mundo, embora praticamente toda a mídia nacional faça vistas grossas, fingindo que não é assunto dela, e só abana o rabo se algum erro aparece num livro didático, quando então bota a boca no trombone. Conclusão: a grande imprensa é contra a educação de crianças e jovens. BESTEIRA O homem, como todo ser vivo, de baleias a micro-organismos, nasce, cresce, trabalha, se reproduz e morre. Às vezes não se reproduz ou não trabalha, mas estou lidando com médias estatísticas, como você deve ter notado. Depois que nasce e cresce até, digamos, seis anos, começa a estudar. Vai à escola pública (se é pobre) e à escola particular (se de classe média ou rico). Lá aprende (ou não) o que precisa para enfrentar a vida adulta, ou seja, para se tornar um trabalhador. Se aprende, de duas uma: ou teve ótimos professores e uma boa escola, ou é bem dotado intelectualmente. Se não aprende, é mediano, imbecil ou idiota, mas confesso não saber qual das duas categorias (idiota ou imbecil) é a mais baixa na escala da burrice. De qualquer forma, aprendendo ou não, trabalhando ou não, chega à velhice e morre. Conclusão: viver não vale à pena. BOBEIRA Editar livro ficou muito fácil. Basta um computador e dois programas de edição, tipo InDesign e Photoshop. Ah, sim, é preciso um mínimo de habilidade na geração dos arquivos, tanto técnica quanto esteticamente. Depois é só contratar uma gráfica offset e mandar ver. Sobre gráficas, é bom pesquisar. Existem as de fundo de quintal (mas foi num lugar desses que Steve Jobs e Stephen Wozniak fundaram a Apple) e as grandonas, cheias de recursos, que cobram caro. Existem também as “sob demanda”, que produzem de um a X exemplares, a gosto do freguês. Aqui decerto irromperá Darwin com seu gosto por carnificinas. Mas, do jeito que as grandes atuam, nem precisa Darwin. Basta deixar do jeito que está, que as bienais da vida resolvem a parada. RATOEIRA Claro que voltarei a Paulo Coelho, mesmo porque ando tentado a dividir a história da literatura universal em duas eras: a.P.C. e d.P.C. O tema é complexo e não cabe em duas linhas. Tem a ver com antiliteratura, paraliteratura, internet, imbecilização global, banalização generalizada, consumismo delirante, modismo e outros fatores relevantes. Homero? Bah! Dante? Bah! Shakespeare? Bah! Clássicos? Bah! Românticos? Bah! Modernos? Bah! Pós-modernos? Bah! “Après moi, le déluge”, como declarou Luís XV, o bem-amado rei.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave