Atuação “afetada” em pauta

Ator conta que usou ícones para compor seu personagem, como Sérgio Mamberti em “O Bandido da Cruz Vermelha”

iG Minas Gerais |

Sem problemas. Experiente, Paulo Betti afirma que, com o tempo, público vai se acostumar com o seu personagem
Isabel Almeida/czn
Sem problemas. Experiente, Paulo Betti afirma que, com o tempo, público vai se acostumar com o seu personagem

O jeito sereno de Paulo Betti é uma evidência de quem já se acostumou a dar entrevistas. No entanto, o experiente ator ganha um brilho a mais e empolgação quase juvenil quando fala de Téo, seu exagerado e controverso personagem em “Império”. Na novela de Aguinaldo Silva, ele dá vida a um blogueiro gay bastante afetado. Pintado com tintas fortes pelo ator, que carregou em trejeitos e estereótipos para compor o papel, Téo já foi alvo de muitas críticas, mesmo com o folhetim no ar há menos de dois meses. “Todo brasileiro é técnico de futebol e sabe exatamente como fazer um gay”, brinca. Por isso, ele admite que há um certo exagero, mas que foi exatamente o que buscou quando surgiu o convite para interpretar o papel. “Todos nós temos todos os tipos de personagens dentro da gente. O gay é um personagem muito grande na vida de um homem. Busquei o meu gay e saiu assim. Se eu fosse homossexual, provavelmente seria como o Téo”, garante, aos risos. Seu personagem em “Império” é um blogueiro inescrupuloso. De onde vieram as referências para compor esse papel? Busquei me preparar de todas as formas que você pode imaginar. Fui em redações de sites e jornais especializados em celebridades. Queria saber qual era o clima e quais as coisas que são importantes. Eles reparam desde a roupa, passando pelo peso e até se a pessoa está ou não usando aliança (risos)! Li “Tratado Geral Sobre a Fofoca”, de José Ângelo Gaiarsa, e “Lábios que Beijei”, uma autobiografia do Aguinaldo Silva falando sobre o universo gay do bairro carioca da Lapa nos anos 70, que usei como o passado do Téo. Usei grandes ícones como referência, como o Sérgio Mamberti no filme “O Bandido da Cruz Vermelha”, Oscarito, Hugo Carvana, Raul Cortez... Pensei como cada um desses caras faria o Téo. Tem o figurino que também ajuda muito. E as preparações externas. Estou fazendo botox capilar e um tratamento para a pele! Tudo em função dele, claro (risos). Com tantas referências externas, sobrou espaço para trazer alguma experiência interna para a composição? Com certeza! Tudo isso que eu falei ficou girando na minha cabeça durante uns dois meses. Mas o personagem veio mesmo na hora de gravar a primeira cena. Ali que vi que já tinha esse personagem dentro de mim. Aliás, nós temos todos os tipos de personagens dentro da gente. E o gay é um personagem muito grande na vida de um homem. Provavelmente, se eu fosse homossexual, seria esse gay pintoso. O jeito estereotipado do Téo encontrou muitas críticas. Como você enxerga isso? Claro que existem resistências quanto ao meu olhar sobre o personagem. Isso sempre vai ter e é muito saudável. Faz parte da polêmica, ele é um personagem controverso. O problema é que tem muito entendido no assunto. Todo brasileiro é técnico de futebol e sabe exatamente como fazer um gay. Acho que, com o tempo, as pessoas vão se acostumar. De qualquer forma, eu precisava encontrar um meio de diferenciá-lo. Como assim? Na novela, já existe a Xana Summer, personagem do Aílton Graça, que tem um caráter mais travestido. O José Mayer, que faz o Cláudio, é um enrustido. Já no texto do Téo, vinham umas dicas que ele poderia ser mais desmunhecado. Foi uma opção minha carregar tanto nas tintas. Além disso, é uma ficção, não precisa ser tão realista. Folhetins recentes tiveram personagens gays muito marcantes, como o Félix de “Amor à Vida” e o Crô de “Fina Estampa”. Você temeu as comparações? Não. Cada um tem seu gay dentro de si. O meu é meu, ninguém tasca (risos)! O do Mateus Solano e o do Marcelo Serrado são deles, completamente diferentes entre si e do meu. As idades são muito diferentes, a função na trama e as referências usadas, também. Os mocinhos não se parecem entre si e nem os vilões. Não precisa ser assim com os gays.

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