Melhor que a encomenda

Em “Vitória”, folhetim da Record, Gabriel Gracindo descobre as nuances de papel de dupla personalidade

iG Minas Gerais | luana borges |

“Em qualquer estúdio ou teatro, as pessoas relembram histórias do meu avô e do meu pai e já passam a gostar de mim”
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
“Em qualquer estúdio ou teatro, as pessoas relembram histórias do meu avô e do meu pai e já passam a gostar de mim”

Gabriel Gracindo sempre quis viver um tipo maluco. Afinal, é um perfil de papel que rende ao intérprete múltiplas possibilidades em cena. Em “Vitória”, ele concretiza esse desejo na pele do domador de cavalos Ziggy. E ainda tem a chance de explorar um outro elemento que atrai a maioria dos atores: a vilania. É que na trama de Cristianne Fridman, em momentos de crise, o personagem, que sofre de dupla personalidade, assume a identidade do inescrupuloso Iago. Por conta disso, o processo de composição de Gabriel se tornou mais complexo. Em vez de criar apenas um papel, ele precisou desenvolver dois. Mas com o cuidado de manter uma conexão entre eles por se tratar de uma mesma persona dentro da história. “No início, Ziggy era um cara do bem e foquei somente nessa composição. Mas, quando começou a aparecer só a voz e a mão do Iago nos capítulos, construí essa outra personalidade e passei a jogar com os dois”, explica. A patologia de Ziggy, no entanto, não é especificada no texto. O que fez o ator buscar diversos livros e filmes, entre eles “As Três Máscaras de Eva”, de Nunnally Johnson. “Mas nada era parecido com meu personagem. O material serviu apenas como referência e para eu ver como um mesmo ator faria essa mudança de olhar e de voz dentro de um mesmo filme”, salienta.

Neto de Paulo Gracindo e filho de Gracindo Júnior, Gabriel praticamente não teve escapatória na hora de escolher a profissão. O convívio com o meio artístico desde pequeno foi tanto que, quando ele se deu conta, aos 14 anos já estava em cena. “Se não fosse ator, acho que sentiria falta disso na minha vida”, imagina. O fato de fazer parte de uma família com nomes reconhecidos da dramaturgia, segundo ele, tem o lado bom e o ruim. “Em qualquer estúdio ou teatro, as pessoas relembram histórias do meu avô e do meu pai e já passam a gostar de mim. Mas devem falar nas minhas costas: ‘Vamos ver do que esse menino é capaz’”, brinca.

Preferências

Ator: Paulo Gracindo Atriz: Marília Pêra Vilão marcante: Antonio Fagundes como Felipe, em “O Dono do Mundo”, de 1991 Se não fosse ator, o que seria: Arquiteto Autor: Fiódor Dostoiévski Diretor: Luiz Fernando Carvalho Livro: “Os Irmãos Karamazov”, de Fiódor Dostoiévski O que falta na TV: Programas que deem informação e entretenimento de maneira mais rica O que sobra na TV: Futilidade A que gosta de assistir: Documentários do Discovery Channel A que nunca assiste: Programa de fofoca

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