Estranho no ninho

Protagonizado por Marcos Palmeira, seriado “A Segunda Vez” valoriza programação rasa do canal Multishow

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Qualidade. Elenco feminino da trama também é um ponto positivo da produção do Multishow
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Qualidade. Elenco feminino da trama também é um ponto positivo da produção do Multishow

O grande sonho do canal pago Multishow era ser anárquico e experimental como a extinta MTV Brasil, mas com algumas doses de glamour. Essa intenção fica clara com a contratação de ex-VJs, produções muito semelhantes e até em algumas vinhetas estranhas que ficam soltas na programação. No meio do caminho, no entanto, o canal se descobriu no humor e na teledramaturgia a partir do ótimo “Cilada”, de Bruno Mazzeo. Outros seriados com resultados oscilantes seguiram a mesma onda. No entanto, com tantas opções, poucas séries conseguiram sair do óbvio, caso das boas “Meu Passado Me Condena” e “Por Isso Sou Vingativa”. O resto da programação virou mero pastiche, em produções como “Vai que Cola”, “Olívias na Tevê” e “Sem Análise”. Com títulos que não saem do lugar-comum, chega a ser revigorante ver uma série como “A Segunda Vez” no canal. Onde o Multishow foge do humor raso e se utiliza de uma boa história não apenas para fazer rir, mas entreter de forma mais adulta.

A ideia de ver o Multishow bancando uma série que mergulha no universo da prostituição de luxo logo é relacionada à programação sexy que o canal ainda exibe depois da meia-noite. Para a sorte do telespectador, a produção baseada no romance “A Segunda Vez Que Te Conheci”, de Marcelo Rubens Paiva, não se perde na nudez de seu belo elenco feminino, formado por Letícia Persiles, Priscila Sol, Nathália Rodrigues, Monique Alfradique, Gabriella Greco, Eline Porto e Camila Lucciola. Com roteiro bem amarrado e inventivo, fotografia eficiente, edição a favor da trama e atuações acima da média, o seriado cresce a cada episódio. Muito por conta também do bom desempenho de Marcos Palmeira, na medida certa com as ironias e particularidades do protagonista Raul.

Muitas séries, filmes e novelas já abordaram a “profissão mais antiga do mundo”. Dos canais pagos, a HBO toma a dianteira ao mostrar com requinte histórias de prostituição em séries nacionais como “Alice” e “O Negócio”. Sem deixar muito a dever, “A Segunda Vez” poderia facilmente ser exibida pelo canal. Dirigida por César Rodrigues, a produção capricha na condução de atores e no acabamento das cenas, tudo a favor de um roteiro que não peca pelo excesso. Coproduzida pela Conspiração Filmes, “A Segunda Vez” é um sinal de que amadurecer é possível, tanto para o Multishow quando para o seu público.

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