Com lotação máxima, Racionais presentearam os mineiros com 2h de show

Pelo menos 5 mil pessoas acompanharam o show, no Chevrolet Hall, que teve clássicos como "Da ponte pra cá", "Artigo 157" e "A vida é desafio"

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Os 5 mil presentes foram ao delírio quando o tradicional nome do grupo se acendeu e os integrantes entraram no palco
JOSÉ VÍTOR CAMILO/WEB REPÓRTER
Os 5 mil presentes foram ao delírio quando o tradicional nome do grupo se acendeu e os integrantes entraram no palco

Há 25 anos Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay se juntaram criando o Racionais MC's, grupo mais influente do rap nacional e que, desde então, assim como diz uma de suas canções, deu voz ativa à juventude negra do país. Na noite desta sexta-feira (22), para celebrar a data no Chevrolet Hall, uma casa de shows de "playboy", localizada na região Centro-Sul de Belo Horizonte, os quarentões mostraram que ainda estão na ativa e presentearam o público mineiro com quase duas horas das principais músicas da carreira.

Os extensos rap's venenosos, que podem ser considerados violentos para quem "não é de lá", foram entoados pelos quase "5 mil manos", a lotação máxima do local. Apesar da acústica desfavorecida do local, foi memorável o som das vozes acompanhando os versos que tratam da realidade vivida pela maior parte do público, jovens de periferias espalhadas por toda a capital mineira e região metropolitana.

Dos mais velhos aos mais jovens, que nasceram anos depois do primeiro disco da banda ser lançado, em 1990, vibraram e se arrepiaram ao ouvir clássicos como "Vida Loka", "Artigo 157" e "A vida é desafio". Alguns zombaram de muitos presentes entoando a pedrada que é a canção "Da ponte pra cá". "Playboy bom é chinês, australiano. Fala feio e mora longe não me chama de mano".

Era fácil perceber a identificação do público ao ouvir Mano Brown contar a sua própria história em Nego Drama, "Daria um filme. Uma negra e uma criança nos braços. Solitária na floresta de concreto e aço". Anelise dos Santos, de 25 anos, disse ter chorado junto quando ouviu "Jesus Chorou". "É de arrepiar. Tenho certeza que todo mundo sentiu a pancada quando ele começou com o 'O que é, o que é...'. A única coisa que me incomoda é pagar R$7 em uma cerveja, R$8 em um cachorro quente. Esse é o problema de show em lugares assim", lamentou a fã.

Nas longas filas para comprar bebidas as reclamações não eram apenas dos preços. "Se eu perder 'Nego Drama' nessa fila eu vou invadir esse balcão e beber tudo que eu ver na frente", brincou um rapaz que preferiu não ter o nome publicado. O descontentamento ficou ainda maior mais tarde, quando quem chegava ao bar era informado que a cerveja gelada havia acabado. "Só sobrou vodka com energético, que sai por quase R$ 30. Aí quebra as pernas", reclamou outro jovem.

Não tão entoadas pelos presentes, o repertório incluiu algumas canções do álbum solo de Edi Rock, "Contra nós ninguém será", de 2013, como Cava cava, Aro 20 e Salve nego. Apesar disso, todos foram ao delírio com Thats my way, outra canção do disco solo, gravada com Seu Jorge.

Capítulo 4 Versículo 3 foi interrompida no meio. "Outro ano se passou. E estou ficando velho e acabado", brincou Brown ao parar a canção. Durante o show o "líder" do grupo não deixou de relembrar o disco Racional, de Tim Maia, que inspirou o nome do grupo e também falou de Jorge Ben, grande influência de algumas de suas canções.

O rapper também não deixou de homenagear a música mineira. "Milton Nascimento e o Clube da Esquina. Vozes das montanhas" , disse Brown. Muitos fãs se decepcionaram quando os Racionais estouraram um champanhe e deixaram o palco sem cantar Diário de um detento.

Enfumaçado

Apesar do ambiente diferente do dia-a-dia descrito nas letras, na pista não existia diferença se comparado à um show dos Racionais em qualquer favela. A presença de seguranças jogando lanternas no público não impedia a multidão de levar a letra da banda a sério, "A paz é dichavada e fumada na seda. Tranquilidade enquanto a brasa tá acesa. A cortina de fumaça sobre o holofote, onde a aliada maior é a sorte".

"Se fosse só a maconha tava tranquilo. O problema era o cigarro. Era muita fumaça para um ambiente tão fechado. As pessoas podiam respeitar pelo menos o aviso para não fumar o 'careta'", disse Gian de Almeida, de 24 anos.

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