Pimenta tem dez vezes mais adesiveiros do que Pimentel

Esquema de distribuição de adesivos em Belo Horizonte mostra desigualdade entre campanhas

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda e Larissa Arantes |

Fartura. Material de divulgação de Pimenta da Veiga, Aécio Neves e Antonio Anastasia já está sendo distribuído nos semáforos de Belo Horizonte desde o início da campanha
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Fartura. Material de divulgação de Pimenta da Veiga, Aécio Neves e Antonio Anastasia já está sendo distribuído nos semáforos de Belo Horizonte desde o início da campanha

Basta o semáforo fechar em qualquer avenida da capital, para a cena se repetir: jovens com blusas em apoio a Pimenta da Veiga (PSDB) ou a Fernando Pimentel (PT) se aproximam de automóveis e tentam convencer o motorista – e provável eleitor – a adesivar o carro em favor de um dos dois principais candidatos ao governo de Minas. Mas a chance de ser abordado por um cabo eleitoral da campanha tucana é muito maior, já que Pimenta contratou um verdadeiro batalhão para divulgar sua imagem nas ruas da capital e da região metropolitana.  

O candidato do PSDB conta hoje com 800 adesiveiro nas ruas, dez vezes mais do que seu principal adversário, Pimentel, que até o momento tem 80 contratados para o serviço.

O petista, porém, é mais generoso na remuneração. Cada um de seus contratados recebe R$ 1.200 por mês – R$ 50 por dia – para executar o trabalho de seis horas diárias, com uma folga semanal. Já o candidato governista paga R$ 900 – R$ 45 por dia – pelo mesmo tempo diário de atividade, mas com duas folgas por semana.

A remuneração de cada um ainda pode aumentar dependendo do número de adesivos colados nos automóveis, segundo o relato de um cabo eleitoral. A informação, no entanto, não é confirmada pelas campanhas.

De acordo com relatos dos responsáveis pela distribuição das propagandas, as reações dos motoristas são diversas, mas, até hoje, foram poucos os casos de recusa do material, acompanhada de ofensas ou grosserias. “Tentamos uma abordagem educada, sem obrigar ninguém a aderir. Tem quem aceita e tem quem não”, conta.

Devido à discrepância entre os números de contratados pelas duas equipes, também há um abismo entre os investimentos previstos por cada campanha. Enquanto Pimentel estima gastar R$ 96 mil por mês, o tucano deve desembolsar sete vezes mais, R$ 720 mil.

Ação. O modo de abordagem dos contratados é semelhante, assim como os perfis. Em sua maioria, são jovens, bem-educados e usam trajes semelhantes: blusa com o nome do partido e calça jeans ou legging preta. Segundo a campanha petista, os cabos eleitorais são estudantes de ensino médio ou universitários indicados por integrantes das juventudes das legendas aliadas. A campanha tucana não informou como é feita a escolha, disse apenas que não existe um perfil prévio definido.

O número de adesiveiros nas ruas já virou tema da campanha na capital. Na semana passada, Pimentel chegou a criticar os gastos do adversário ao afirmar que não é “milionário”. “Não temos um exército de gente paga nas ruas”, disse. Já o coordenador da juventude do PSDB, Michell Tuler, afirmou que a adesivagem é apenas uma etapa do trabalho. “Há um planejamento estratégico. Entregamos materiais de campanha nas escolas, por exemplo”, explica.

Estratégia

A campanha do PSDB avalia que a distribuição de seus adesivos foi muito eficiente. Embora a entrega de adesivos deva permanecer nas ruas de Belo Horizonte e região metropolitana, a ideia é, agora, intensificar a distribuição nas cidade do interior do Estado, com ajuda das lideranças regionais tucanas e aliadas

Militância

Como a campanha de Fernando Pimentel conta com um número de adesiveiros menor do que o contratado pelo seu adversário tucano, o PT tem contado com a militância para distribuir parte do material. A ideia é que cada militante consiga a adesão de, pelo menos, mais três eleitores, aceitando colar o adesivo e entregar panfletos.

Adesivo é mais importante no início da campanha eleitoral Para o professor de marketing da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) Hélvio de Avelar, a estratégia de colocar jovens nos semáforos da capital é relevante, mas sua maior efetividade é no início da campanha. “Não é que os adesivos vão convencer alguém de votar em determinado candidato, mas é uma forma de colocar a campanha na rua e dar destaque para o candidato”, analisa o professor. Segundo o especialista, a maior presença de um nome na rua pode ser importante para aumentar o apoio em torno dele. “Se você vê muitas pessoas apoiando um nome, pode parar para refletir no seu voto”, justifica. Em uma segunda etapa da disputa, porém, Avelar acredita que o mais importante para a definição do voto é o que será apresentado pelos candidatos nas propagandas da televisão e do rádio.

Material de presidenciáveis entra no pacote distribuído Enquanto nos semáforos da capital, o candidato do PSDB ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, também distribui adesivos do presidenciável Aécio Neves, o candidato do PT, Fernando Pimentel, não estava dando destaque para a candidatura da presidente Dilma Rousseff. No início de agosto, porém, os materiais de campanha da petista chegaram a Belo Horizonte. Uma diferença é que o panfleto de Pimentel aparece encartado ao de Dilma, uma vez que o material da presidenciável petista não cita o nome do postulante ao Palácio Tiradentes. Já a campanha do PSB em Minas estuda o que fazer com o material que também chegou a Belo Horizonte recentemente. O problema é que nas seis toneladas de publicidade aparece a imagem do presidenciável morto em um acidente de avião, Eduardo Campos.

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