“O Estado não é um partido”

Candidata do PSB à Presidência, Marina Silva assume compromisso com fim da reeleição

iG Minas Gerais |

União. “Agora não é hora de valorizar a parte, é hora de lutarmos pelo todo”, disse Marina Silva.
VANESSA CARVALHO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
União. “Agora não é hora de valorizar a parte, é hora de lutarmos pelo todo”, disse Marina Silva.

São Paulo. A candidata do PSB ao Palácio do Planalto, Marina Silva, assumiu nesta sexta compromisso com o fim da reeleição e afirmou que o presidente da República “não deve ser tratado como propriedade de um partido”. “Farei um mandato de apenas quatro anos”, disse.

As declarações ocorrem em meio à crise que acomete a campanha da ex-senadora. Alguns integrantes do PSB estão insatisfeitos com a oficialização de sua candidatura porque acreditam que, se eleita, Marina não irá permanecer no partido após a criação da Rede.

A candidata já deixou claro que migrará para seu grupo político assim que este conseguir seu registro na Justiça Eleitoral. “Não devemos tratar o presidente da República como propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política e as lideranças políticas têm que entender que o Estado não é um partido e que o governo não é o Estado”, declarou Marina após participar de reunião sobre seu programa de governo, em São Paulo.

Questionada sobre se estava comprometida a permanecer no PSB caso seja eleita em outubro, Marina foi evasiva. “Me comprometo a governar o Brasil”. A candidata tentou minimizar as mudanças que aconteceram na coordenação de sua campanha nos últimos dois dias e afirmou que, assim como o PSB acolheu a Rede quando este não conseguiu registro, a Rede acolhe agora o partido de seu aliado Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em Santos.

“Nós queremos que o PSB possa se estabilizar e seus líderes possam se reconectar. Agora não é hora de ficarmos cada um valorizando a parte. É hora de lutar pelo todo”.

Marina disse que não vai subir nos palanques onde ela já havia definido não participar mesmo antes da morte de Campos, na semana passada. “Não vou aos palanques onde já não estava indo”, disse Marina, quando questionada especificamente sobre campanhas estaduais do PMDB. “O certo é que Beto (Albuquerque, vice) irá suprir a presença de Eduardo junto àquelas candidaturas”, explicou a candidata.

Segundo a coordenação de campanha de Marina, a candidata reafirmará os compromissos feitos por Campos a respeito de conceder autonomia formal, por lei, ao Banco Central. Essa é uma tentativa de Marina se qualificar como uma candidata confiável aos olhos do establishment financeiro e empresaria. A candidata também estuda fazer um discurso ou um documento mais sucinto a respeito de seus compromissos na área econômica.

Bonner

Bancada. Marina confirmou presença na entrevista do “Jornal Nacional”, da TV Globo, na próxima quarta-feira. Após a morte de Campos, a Globo se prontificou a entrevistar a nova candidata.

Coligação

Formal. O presidente do PSB, Roberto Amaral, formalizou nesta sexta perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a substituição da chapa que irá concorrer à Presidência da República. Chapa. O pedido de registro confirma Marina Silva como candidata e Beto Albuquerque como vice-presidente.

Aliança. No pedido de registro, foi formalizada também a permanência da coligação original, contando inclusive com o

PSL, que havia ameaçado deixar o grupo. A coligação é formada por PSB, PPS, PPL, PHS, PRP e PSL.

Site. Nesta sexta, o PSB lançou um novo site de campanha, sem imagens de Eduardo Campos. O antigo endereço se transformou em homenagem ao ex-governador.

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