Defesa é chance para indústria

Prefeitura de Contagem quer expandir atuação de seus parques industriais no segmento

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Frente. Desenvolvimento do Guarani para o Exército está ampliando mercado, segundo Giovani D’Ambrosio, diretor industrial da Iveco
DENILTON DIAS / O TEMPO
Frente. Desenvolvimento do Guarani para o Exército está ampliando mercado, segundo Giovani D’Ambrosio, diretor industrial da Iveco

Enquanto as previsões para o crescimento econômico do Brasil em 2014 minguam e descem para menos de 1%, um mercado promete investimentos e crescimento para os próximos 30 anos: a indústria da defesa. O governo federal tem projetos ligados ao setor e disponibilizou R$ 100 bilhões para investimentos. “O Brasil é muito grande, para garantir sua soberania é necessário ter uma base industrial de defesa nacional. Corríamos o risco de fazer um reaparelhamento comprando tudo de fora. Por isso, ficamos sete anos desenvolvendo o marco legal da indústria da defesa e elaboramos uma estratégia nacional de defesa. Vamos investir em transmissão tecnológica e capacitação. Não seremos um país desenvolvido se não tivermos uma indústria de defesa forte”, declarou ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, durante o seminário “A Participação da Indústria de Contagem e de Minas Gerais nos Projetos Estratégicos da Indústria de Defesa do Brasil”, organizado pela prefeitura de Contagem.

Entre os projetos citados pelo ministro estão o do submarino de propulsão nuclear e o desenvolvimento dos caças Gripen NG de 4ª geração.

“É uma grande oportunidade para as indústrias daqui. Contagem tem um polo diversificado, com indústria química, de refratários, de software. Temos cinco centros industriais e é vocação da cidade atender, como fornecedores, uma indústria como a da defesa”, disse o prefeito de Contagem, Carlin Moura.

Para tanto, segundo o prefeito, é necessário modernizar os centros industriais para atender às exigências desse mercado. “Precisamos replanejar, modernizar os centros industriais para entrar na concorrência em pé de igualdade”, diz Carlin Moura.

A preocupação é compreensível, já que outros polos industriais também estão investindo na defesa. O ministro Mauro Borges cita a região metropolitana de São Paulo, Porto Alegre, Joinville e Curitiba como cidades que estão investindo no setor. “O ABC paulista está trabalhando para atender as oportunidades do projeto dos caças”, exemplifica. Mas, também, elogia o que existe em Contagem. “Temos uma indústria de fornecimento para o sistema de defesa em Minas Gerais. O setor metal mecânico já está bem desenvolvido, a metalurgia, a indústria de veículos pesados. Isso tudo é importante”, explica o ministro da Indústria.

Contagem já conta com oito organizações definidas como “empresas estratégicas para a defesa nacional”, certificação oferecida pelo Ministério da Defesa. Hoje, são 55 empresas certificadas, segundo o secretário de produtos de defesa do Ministério da Defesa, Murilo Marques Barbosa. “Elas devem ter a maioria do capital nacional, mas não estamos excluindo a cooperação das multinacionais”, explicou Barbosa.

Outro ponto destacado pelo ministro Mauro Borges foi a mão de obra especializada em Minas. “São sete universidades federais de excelência no Estado, lideradas pela UFMG. Temos base científica para trabalhar o desenvolvimento dessa indústria com cursos de computação e engenharias mecatrônica e aeronáutica”, afirmou o ministro.

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