Promotor quer elevar pena do “doutor Monstro” a 400 anos

“Ele merece isso porque cometeu estupros reiteradamente”, afirma Dal Poza, do MP de SP

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Onde está ela? A mulher de Abdelmassih, Larissa Sacco, está desaparecida
Reproduçao TV Globo
Onde está ela? A mulher de Abdelmassih, Larissa Sacco, está desaparecida

Rio de Janeiro. O Ministério Público (MP) de São Paulo quer aumentar para 400 anos de reclusão a pena contra o ex-médico Roger Abdelmassih, preso na ultima terça-feira no Paraguai. A argumentação do MP é que a Justiça precisa desconsiderar a pena mínima pelo crime de abuso contra as vítimas e calcular a prática com penalidade máxima.  

De acordo com o MP, o aumento na pena de Roger Abdelmassih seria uma forma de justiça para as vítimas e para a sociedade. “Ele merece isso porque cometeu os estupros reiteradamente” disse o promotor Dal Poz. “A conduta dele (Abdelmassih) é a maior conduta de crimes sexuais do Brasil. Ele é o maior criminoso sexual do Brasil. Até hoje não vi ninguém com condenação desse porte e essa quantidade de vítima”, disse o promotor.

A argumentação usada pelos advogados de Abdelmassih é que a sentença do ex-médico teria transitado em julgado no Tribunal de Justiça (TJ). Eles afirmaram ainda que um pedido de habeas corpus foi feito e tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao portal de notícia G1, o TJ disse que não tem previsão de quando os pedidos da defesa serão apreciados.

Roger Abdelmassih, que atuava no Brasil como médico cirurgia e um dos maiores especialistas em reprodução assistida, foi preso na ultima terça-feira em Assunção, capital do Paraguai. Ele estava foragido desde janeiro de 2011.

Abdelmassih foi condenado por abusar sexualmente de 52 pacientes enquanto elas eram sedadas para serem atendidas em sua clínica. Para o crime, a pena imposta pelo MP de São Paulo foi de 278 anos de prisão em regime fechado. Mas a promotoria entende que esse cálculo é baseado na pena mínima, fato considerado inaceitável.

Nos últimos dias, através de redes sociais e em entrevista a telejornais, as vítimas que acompanharam todo o desenrolar da prisão de Roger, clamavam por justiça. Algumas delas, afirmaram ter sofrido ao longo de anos com doenças psicológicas chegando a ter abstinência de beijos por até 6 anos por traumas devido ao abuso que sofriam.

Os esposos de várias delas resolveram pedir o divórcio logo que o caso, na época, foi descoberto. Em defesa, o ex-médico afirmou que nunca abusou de suas pacientes e que apenas beijava algumas delas.

Semiaberto só depois de 99 anos no fechado Embora tenha sido condenado a 278 anos de prisão, o ex-médico Roger Abdelmassih ficará preso por no máximo 30 anos, conforme artigo 75 do Código Penal brasileiro. No entanto, o advogado criminalista Marcelo Peixoto de Melo explica que há uma diferença entre ser condenado a 278 anos e ser condenado a 30 anos de prisão. “Há uma súmula do Supremo que determina que os benefícios da pena são calculados sobre o total de anos de condenação, e não sobre os anos de cumprimento”, diz. Segundo o Código Penal, em caso de crimes hediondos, o detento tem direito à progressão da pena depois de ter cumprido dois quintos do tempo a que foi condenado – no caso de Abdelmassih, 99 anos. Na prática, isso significa que ele nunca poderá se beneficiar do regime semiaberto, por exemplo. Mas por doença, ele poderá cumprir pena em prisão domiciliar.

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