Piano e violão de uma lenda

Egberto Gismonti retorna a Belo Horizonte para apresentar um show solo inédito na cidade, hoje à noite

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Show. O músico carioca Egberto Gismonti vai entoar repertório dos quase 40 anos de carreira
Paulo Liebert/AE
Show. O músico carioca Egberto Gismonti vai entoar repertório dos quase 40 anos de carreira

De todas as mais de 20 vezes que se apresentou na capital mineira, o multi-instrumentista Egberto Gismonti, 67, nunca teve muito tempo para entoar canções da própria carreira de quase 40 anos, que incluem 700 gravações autorais e participações infinitas ao lado de músicos como Hermeto Pascoal, Juarez Moreira, Wanderléa, Déa Trancoso, entre tantos outros. “Acho que em BH fiz muitas parcerias, é como minha segunda casa. Mas desta vez vou poder fazer uma apresentação que nunca fiz aí: meu espetáculo solo”, diz. Esse é o espírito do show que o músico faz hoje à noite, no Teatro Bradesco, como parte integrante do Savassi Festival.

Com uma produção musical invejável, Egberto Gismonti não se preocupa mais em gravar discos – após produzir 60 registros oficiais, 25 peças de balé e outras 25 de teatro, além de trilhas para 30 filmes, entre eles “Chico Xavier”, de Daniel Filho. “Cheguei em uma etapa da vida que o que eu quero é subir ao palco e tocar as minhas músicas. Comigo não tem essa de gravar disco, lançar música de trabalho, fazer a divulgação. Que bobagem, quero é tocar”, diz o instrumentista.

Por isso, o show de Egberto Gismonti não tem setlist, convidados ou mesmo uma banda de apoio. No palco do Teatro Bradesco, apenas ele alternado entre o violão de dez cordas de nylon e outro de aço, além do piano. Para escolher o que vai tocar, ele se prende a duas possibilidades. “Primeiro, a que eu mais gosto, é de subir ao palco, olhar para alguém e na hora imaginar o que ela quer ouvir e começar a tocar. A outra é por um cronograma de músicas que passeiam por toda a minha carreira, desde os anos 70 até os 2000 – isso me agrada menos, mas preciso ter uma segurança se tudo der errado”, confessa.

Mesmo sem um repertório completamente formado antes do show, Egberto Gismonti não deixará faltar clássicos como “Frevo”, “Prova de Amor” e “Continuidade dos Parques”.

Relançamento. Depois de lançar no início do ano, no Japão, uma caixa com 18 discos da carreira gravados pela Odeon, Egberto Gismonti se prepara agora para mergulhar em outro projeto. Desta vez, o selo Carmo, criado pelo músico nos anos 80, vai lançar no mercado fonográfico um conjunto de quatro a cinco discos do instrumentista, reunindo peças de balé, TV e teatro que ele compôs ao longo da carreira. “Creio que 90% desse material é inédito ou pouco conhecido. Os discos devem começar a sair no ano que vem, como forma de renovar minha música”, diz.

Agenda

O QUE. Show de Egberto Gismonti

ONDE. Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, Lourdes)

QUANDO. Hoje, às 20h30

QUANTO. R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)

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