Entidade afirma que táxi na pista do Move será um ‘tiro no pé’

Estudo mostrou que autorização em SP causou atrasos e lentidão

iG Minas Gerais | Camila Bastos |

Compartilhadas. Táxis com destino à Cidade Administrativa e ao aeroporto poderão usar pistas exclusivas
Lincon Zarbietti / O Tempo
Compartilhadas. Táxis com destino à Cidade Administrativa e ao aeroporto poderão usar pistas exclusivas

Permitir que táxis passem a utilizar as pistas exclusivas do Move na avenida Antônio Carlos pode trazer lentidão ao sistema de transporte e consequente prejuízo ao trânsito. A afirmação é da Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU) – entidade que representa as empresas de ônibus de todo o país –, que classificou a autorização concedida pela Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) como um “tiro no pé”. Já a assessoria da autarquia afirmou que a permissão se limitará aos taxistas com destino à Cidade Administrativa e ao aeroporto de Confins, na região metropolitana.

A NTU afirma que a circulação dos táxis na via deixaria as viagens do Move mais devagar e menos pontuais. As críticas se baseiam em um estudo de caso feito na cidade de São Paulo, que mostrou que as viagens de ônibus chegaram a ficar 30% mais lentas e atrasaram 83% mais por causa dos carros nas pistas exclusivas. Por causa dessa avaliação, a Prefeitura de São Paulo proibiu que os veículos continuassem circulando nas vias.

Na último dia 19, o presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar, afirmou que não há previsão para a liberação do tráfego, que depende da implantação de radares para ser oficializada. A licitação para a instalação do equipamento ainda está em andamento e deve ser concluída neste ano.

Para o presidente da NTU, Otávio Cunha, os impactos no trânsito da capital mineira devem ser menores que em São Paulo, mas o transtorno deve acontecer. “Quando você tem uma pista só de ônibus e coloca outros carros ali, atrapalha toda a dinâmica e diminui a eficiência proposta pela pista exclusiva. Investir tanto e depois atrapalhar é um tiro no pé”, avaliou, ressaltando que não seria possível fazer, por exemplo, o controle do número de carros que poderiam circular na pista.

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Belo Horizonte (Sincavir), Ricardo Luiz Faedda, afirmou que há espaço para a circulação dos dois transportes. “Os ônibus do Move circulam na Antônio Carlos com uma distância de 800 metros entre si”.

Consultor é a favor de divisão Pistas exclusivas para ônibus diminuem a quantidade de coletivos nas vias mistas. Para o consultor de segurança viária Eduardo Tondato, esse tipo de limitação é positiva, mas o compartilhamento com os táxis é possível, pois o fluxo de ônibus da Antônio Carlos, segundo ele, é baixo. “Os motoristas não entendem bem quando a faixa é preferencial e quando é exclusiva. Além disso, o ônibus pode circular pela pista mista, e isso atrapalha muito”. Na capital, os coletivos podem transitar por todas as pistas, mesmo quando há opção de exclusividade.

Exemplo

Pesquisa. O estudo feito em São Paulo levou em conta o número de táxis por hora na pista exclusiva dos ônibus. O embarcar e desembarcar de passageiros ainda trazia riscos de acidentes.

Pedro II

Dividida. Nas pistas exclusivas do Move na avenida Pedro II, em alguns trechos é permitido o trânsito compartilhado com os táxis. Faixas pontilhadas na pista indicam a permissão.

Multa

Lei. Transitar na faixa da direita regulamentada como de circulação exclusiva é infração leve, com multa de R$ 53,20 e três pontos na carteira. Na esquerda, são R$ 127,69 de multa e cinco pontos.

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