“Ninguém faz samba apenas porque prefere”

iG Minas Gerais | lucas simões |


Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda iniciam turnê em setembro
Rafae Silva
Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda iniciam turnê em setembro

Apesar de não se preocuparem em pontuar objetivamente o projeto “Bossa Negra”, Hamilton de Holanda e Diogo Nogueira começam a temporada de shows para lançar o disco no Brasil, no fim de setembro, e, a partir do ano que vem, zarpam para a Europa. Além da expectativa para estrear o show que eles dizem ser feito para um público de “oito a 80 anos”, os dois parceiros falaram ao Magazine sobre o processo de escrever canções inspiradas em Baden Powell e Vinicius de Moraes, outras versões que vão entrar nas apresentações ao vivo, influências musicais e, claro, tentaram explicar, afinal, como é que nasce um bom samba. Entrevista

De início, dá para definir “Bossa Negra” de forma sucinta?

Hamilton e Diogo (cantando): É bossa negra, meu irmão!  Hamilton: Falando sério, poderiam ser todas as cores, porque fizemos um disco plural, que mexe com quem ouve, não só no sentido de dançar.  “Bossa Negra” é autoexplicativo, então? Hamilton: Acho que a “Bossa Negra” talvez seja autoexplicativa ao ouvir o disco. A gente passeia pelo samba e pela bossa, sem ser nenhum dos dois, mas dizendo que é. Olha isso! Mas, como o Diogo disse antes, não dá para a música ser puritana. A ideia dessa formação de banda enxuta com baixo, bandolim e percussão foi de quem? Hamilton: Não tivemos uma ideia proposital de fazer um som diferente por ser diferente. O André e o Thiago são músicos que tocam comigo, trouxe esses caras porque sabia que caberiam na proposta. Como foi compor essas canções novas? Diogo: Foi uma confraria, eu posso dizer. Compúnhamos em casa, quando íamos à casa um do outro para falar do disco, no estúdio e pelo celular também, no WhatsApp. De uma das músicas, por exemplo, “Brasil de Hoje”, o Arlindo (Cruz) terminou a letra em mensagem de voz pelo celular, cara. Ele estava em Belém, e a gente, no Rio de Janeiro fritando para fechar o disco, aí chega o áudio dele com os versos finais. Foi muito legal esse processo espontâneo de compor. E a descoberta de “Salamandra”, música inédita do João Nogueira? Diogo: Eu conheci essa música em 2006, se não me engano, por meio de uma gravação demo em fita cassete que estava com o Paulinho Albuquerque (produtor musical). Acabei não gravando na época. Quando o “Bossa Negra” estava a todo vapor, fui à casa do Paulinho, captei o áudio do som pelo gravador do iphone e levei no estúdio na mesma hora para a gente gravar. É uma música fantástica, uma letra incrível. Nos shows, vocês pretendem incluir outras músicas que não entraram no disco? Hamilton: Bom, a ideia é que o repertório do “Bossa Negra” seja autoral, mesmo com as regravações no disco. Mas claro que no show vamos emplacar coisas como “Batendo a Porta”, (João Nogueira), “Vatapá” (Dorival Caymmi) e “Sem Compromisso” (Geraldo Pereira). Enfim. Tem um repertório da música brasileira que dialoga demais com o “Bossa Negra”. Vamos incluindo... Para fechar, afinal de contas, como é que nasce um bom samba? Diogo: O bom samba nasce sozinho, não tem essa de um caminho a ser trilhado, não. Você sente a vibração de pé batendo, escreve, compõe.   Hamilton: E ninguém faz samba apenas porque prefere. O samba nasce pela necessidade de se expressar, seja pela dor ou pela alegria. Às vezes, só o ‘laia laia’ te emociona tanto que você mal precisa de uma letra para completar a melodia.

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