Primeiro Museu do Videogame procura espaço para vir a BH

Colecionador reúne aparelhos e títulos garimpados no mundo todo

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Lotado. As exibições do Museu do Videogame em Campo Grande receberam 450 mil pessoas de todas as idades
Cleidson Lima/Arquivo pessoal
Lotado. As exibições do Museu do Videogame em Campo Grande receberam 450 mil pessoas de todas as idades

Fazer uma paixão da infância virar coisa de gente grande não é para qualquer um. Mas foi o que aconteceu com Cleidson Lima, 42, encantado pelos videogames desde pequeno. Sua coleção, que começou em 2006, foi reconhecida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e agora é, oficialmente, o primeiro Museu do Videogame brasileiro.

Sem sede fixa, com seu acervo de 215 consoles e 6.000 títulos de jogos reunidos em casa, na cidade de Campo Grande, ele planeja eventos para levar o museu a várias cidades brasileiras, inclusive Belo Horizonte. “Já fomos procurados por um shopping da cidade”, conta o curador, sem revelar detalhes. “Onde a gente tiver parceiros e patrocinadores, seja do poder público ou da iniciativa privada, a gente vai. A condição é que a entrada do público seja gratuita”. E o melhor: não é para ver, é para jogar de verdade.

O Museu do Videogame já realizou quatro eventos em Campo Grande e teve, ao todo, 450 mil visitantes. Engana-se quem pensa que é coisa para nerds. São famílias inteiras. “Já teve pai na casa dos 40 anos jogando ‘River Raid’, chorando e falando com o filho: ‘Era esse que eu jogava quando tinha a sua idade’”, conta o curador.

Atari, Nintendinho, Master System, Mega Drive, Nintendo 64, Sega Saturn, Xbox, Dreamcast, Game Cube e PlayStation 1 estão lá. Mas nem só de nomes conhecidos do grande público vive o Museu do Videogame. O primeiro jogo do mundo, o Magnavox Odissey de 1972, por exemplo, pode ser visto. “Tem gente no eBay que vende por US$ 10 mil. Eu comprei por US$ 15 num brechó nos Estados Unidos”, conta.

No baú da vovó. Como não é um homem rico, Cleidson Lima usa o que chama de “a estratégia mais divertida de todas” para incrementar o acervo: garimpar. As maiores preciosidades, diz, estão nos guarda-roupas das avós. “O cara sai de casa, a mãe não joga nada fora, fica tudo entulhado lá. Um dia essa mãe enche o saco e doa. Devo ter ganho uns 20 videogames de avós e mães, com caixa e manual”, conta.

Além de procurar em sites de leilão e vendas de garagem na Europa, no Japão e nos Estados Unidos, Cleidson diz que as doações ajudam a aumentar o acervo. Na verdade, foi assim que tudo começou. “Eu coleciono desde 2006. Comecei com uns dez. Os amigos iam jogar fora, me perguntavam se eu tinha aquele determinado console e me ofereciam”, lembra.

Livro à vista. A paixão pelos games também fez de Cleidson Lima um pesquisador. Ele prepara agora o “Almanaque do Videogame – O Guia do Colecionador”, que deve reunir imagens e informações sobre mais de 500 consoles em 42 anos de história dos games eletrônicos. “Nem para o meu mestrado em convergência digital eu estudei tanto quanto estou estudando para fazer o livro. A internet tem muita informação furada”, diz o pesquisador, que comprou vários dos aparelhos de que falará.

Flash

Mundo gamer. O Museu do Videogame é mais que uma exibição. Tem palco, simuladores de corrida, muitos videogames atuais, campeonatos de jogos e de cosplay, entre outras atividades.

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