PSB 'dará explicações' sobre compra do jato, diz vice de Marina

Beto Albuquerque (PSB-RS) afirmou está certo de que "houve uma doação presumida" em relação a gastos, que não apareceram na primeira prestação de contas da então candidatura do ex-governador

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Candidato a vice na chapa de Marina Silva à Presidência da República, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) afirmou que o PSB "dará todas as explicações necessárias" sobre uma eventual irregularidade na contratação da aeronave que caiu em Santos (SP) na quarta-feira (13) e matou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e outras seis pessoas.

"O PSB haverá de dar todas as explicações necessárias [...] O presidente nacional do partido, Roberto Amaral, terá informações para fornecer", disse nesta sexta-feira (22) após uma reunião sobre o programa de governo da candidatura, em São Paulo.

Ao lado de Marina, que foi perguntada sobre o assunto, o candidato a vice se escalou para responder aos questionamentos dos jornalistas.

De acordo com Albuquerque, "a pauta principal" é a causa da queda do avião. "Quero insistir que continuamos atrás das informações de como esse avião caiu. Isso é nossa pauta principal. Não teve conclusão técnica nem de inquérito [sobre o acidente]. Queremos saber como os nossos sete companheiros morreram".

Sobre a questão dos gastos com o jato particular, que não apareceram na primeira prestação de contas da então candidatura de Campos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Albuquerque disse que "está certo" de que "houve uma doação presumida". Nesse caso, o deputado quer dizer que não era necessário a doação do jato estar na primeira prestação de contas da campanha.

A Polícia Federal e a Polícia Civil apuram a suspeita de uma possível fraude na venda do avião Cessna. A aeronave pertencia ao grupo A. F. Andrade, dono de usinas de açúcar, que está em recuperação judicial, e só poderia ser vendido com autorização da Justiça, o que não ocorreu, segundo os policiais.

Acidentes

O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Henrique Accioly Campos, 49, morreu no dia 13 de agosto em acidente aéreo em Santos, litoral paulista, onde cumpriria agenda de campanha. O jato Cessna 560 XL, prefixo PR-AFA, partira do Rio e caiu em área residencial. A Aeronáutica investiga a queda.

Dois pilotos e quatro assessores também morreram, e sete pessoas em solo ficaram feridas. Os restos mortais removidos do local do acidente foram para a unidade do IML (Instituto Médico Legal) em São Paulo. Na noite de sábado (16), o corpo de Campos chegou ao Recife. Os filhos dele carregaram o caixão usando camisetas com a frase "Não vamos desistir do Brasil", dita pelo candidato na TV.

Cerca de 130 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, acompanharam no domingo (17) o cortejo com o corpo de Eduardo Campos no Recife, após o velório no Palácio do Campos das Princesas. O ex-governador foi enterrado sob gritos de "Eduardo, guerreiro do povo brasileiro", aplausos e fogos de artifício. No velório, Dilma Rousseff (PT) e o ex-presidente Lula receberam vaias da multidão, depois abafadas por aplausos. O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) também participou da cerimônia.

Marina Silva ficou ao lado de Renata Campos, viúva do candidato, durante o velório e o enterro. No cemitério, a ex-senadora foi seguida por pessoas que gritavam seu nome e tentavam tocá-la. Os corpos das outras vítimas do acidente foram enterrados em Recife, Aracaju, Maringá (PR) e Governador Valadares (MG).

Governador de Pernambuco por dois mandatos, ministro na gestão Lula, presidente do PSB e ex-deputado federal, Campos estava em terceiro lugar na corrida ao Planalto, com 8% no Datafolha. Conciliador, era considerado um expoente da nova geração da política.

Campos morreu num 13 de agosto, mesmo dia da morte do avô, o também ex-governador Miguel Arraes (1916-2005). Campos deixa mulher, Renata Campos, e cinco filhos, o mais novo nascido em janeiro. "Não estava no script", disse Renata.

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