Protesto contra o genocídio negro complica trânsito no Centro de BH

A 2ª Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro acontece em 10 estados brasileiros e outros 15 países

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Movimento também apoia as ocupações do Isidoro
BRIGADAS POPULARES/DIVULGAÇÃO
Movimento também apoia as ocupações do Isidoro

Quem passa pela região central de Belo Horizonte no fim da tarde desta sexta-feira (22) pode se deparar com um trânsito bastante complicado. Manifestantes interditam vias durante a 2ª Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro, que acontece em pelo menos 10 estados brasileiros com apoiadores em outros 15 países. 

Na capital mineira os manifestantes se reuniram na rua Aarão Reis, ao lado da praça da Estação, por volta das 15h, onde confeccionaram camisas, faixas e cartazes. A marcha tem o objetivo de denunciar toda forma de violência, discriminação e opressão vivenciadas pelos negros do país, que mesmo após a abolição continuam lutando por uma cidadania plena. 

Segundo a BHTrans, o grupo chegou à praça Sete por volta das 17h, sendo que o trânsito chegou a ser fechado no sentido rodoviária e gerou congestionamentos até na área hospitalar. Várias vias no entorno da praça também tiveram o tráfego prejudicado pela manifestação. Por volta das 17h20 o grupo se deslocou em direção à praça Rio Branco, próximo à Rofociária, liberando a praça Sete, mas gerando retenções na rua São Paulo e chegando a atingir também a avenida Amazonas. 

Por volta das 17h30 os manifestantes se concentraram na praça, sendo que o trânsito não era mais interrompido. Apesar disso, ainda conforme a BHTrans, o trânsito segue complicado na região.

A Polícia Militar acompanha o protesto, apesar de não saber precisar o número de manifestantes que participam do ato. O movimento contou também com a presença de vários moradores das ocupações do Isidoro, que também apoiam o fim da violência contra a população negra, grande maioria entre as famílias das ocupações. 

Reaja ou será morta

A marcha faz parte da campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, que busca conscientizar a população sobre os problemas ainda vividos pelos negros no país. Segundo o grupo, um dado que demonstra o genocídio, é que em 2008 jovens negros tinham 138% mais chance de ser abatidos de maneira violenta quando comparados com jovens brancos na mesma faixa etária. 

Um outro número interessante divulgado pela campanha compara o número de mortos diariamente na na Faixa de Gaza com os negros assassinados no Brasil, o que justifica o nome de genocídio do povo negro. Em 2012, 41.127 negros foram mortos no país, o que aponta para uma média de 113 mortes por dia. Em 24 dias de conflito em Gaza foram contabilizados 1.400 mortos, o que leva à um número de 58 palestinos mortos por dia, pouco mais da metade do número de negros mortos. 

O REAJA Minas, comitê criado para construir esse novo processo de abolicionismo no Estado, conta com um grande numero de coletivos, movimentos, entidades de matrizes africanas, organizações, grupos de arte, de dança afro, acadêmicos, sindicatos, todos unidos pelo objetivo único de denunciar as varias formas de extermínio do povo negro.

Atualizada às 17h45

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