Empresas investigadas faziam consultoria e agendamento de viagens

A suspeita da Polícia Federal e do Ministério Público é de que elas servissem para "justificar o repasse de propina" a Paulo Roberto Costa

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

 Investigadas por sua ligação com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, as empresas que são alvo da nova fase da operação Lava Jato faziam atividades de consultoria, exportação e importação de vestuário, RH e até de agendamento de viagens.

Todas elas eram sediadas no Rio de Janeiro, onde foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nesta manhã.

A suspeita da Polícia Federal e do Ministério Público é de que elas servissem para "justificar o repasse de propina" a Paulo Roberto Costa.

As empresas tinham contratos com fornecedoras da Petrobras que participaram da construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e de outras obras da estatal no Rio de Janeiro.

"O esquema, aparentemente, é muito similar ao da MO Consultoria [empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef, alvo da primeira fase da Lava Jato]", afirmou o procurador da República Carlos Fernando Lima. "Nenhum empregado, nenhuma expertise e pagamentos de empreiteiras que prestaram serviço à Petrobras sem nenhuma justificativa."

São dez as empresas investigadas. Oito delas estavam no mesmo endereço no Rio, em salas contíguas ou próximas.

Muitas não tinham sequer funcionários registrados ou em número suficiente para prestar os serviços que afirmam oferecer, de acordo com levantamento da Receita Federal. Algumas receberam até R$ 3 milhões de contratos com fornecedoras da Petrobras.

No entanto, a PF afirma que não é possível dizer se todas desenvolviam atividades ilícitas. "Nós não estamos falando só de empresas de fachada. Havia, sim, atividade empresarial", disse a delegada federal Erika Marena. "Mas em algumas, certamente, há suspeitas."

A maioria das empresas está em nome de Costa ou de seus familiares --entre eles o genro Humberto Sampaio de Mesquita, uma de suas filhas e a sua mulher.

A conexão principal entre elas, porém, é o empresário Marcelo Barboza Daniel, amigo de Costa, que tinha participação societária em todas as empresas.

A Justiça emitiu um mandado de condução coercitiva contra Daniel, para que ele prestasse esclarecimentos, mas o empresário está em viagem aos Estados Unidos. Segundo a PF, ele já entrou em contato e se colocou à disposição. O depoimento dele já foi agendado, em data não divulgada.

Daniel já havia sido mencionado por Costa como credor de um empréstimo de R$ 1,9 milhão a ele, além de doador de outros R$ 1 milhão ao genro do ex-diretor. Foram esses fatos que acenderam o alerta para a investigação da PF.

"É uma coisa bastante inusual. Uma doação entre duas pessoas, em que não há uma relação maior que a comercial. É bastante estranho. Pode caracterizar uma transferência de valores ilícitos", afirmou o procurador Lima.

As empresas investigadas nesta sexta também foram mencionadas em documentos apreendidos com Paulo Roberto Costa na primeira fase da Lava Jato, o que também motivou a investigação. A Polícia Federal não divulgou o teor dos materiais apreendidos na operação desta manhã. A PF passou a investigar empresas e movimentação financeira do ex-diretor da Petrobras e da família dele depois que as filhas e os genros de Costa foram filmados dentro do elevador carregando documentos do escritório do ex-diretor da Petrobras.

Costa foi preso em março, três dias depois de deflagrada a primeira fase da Lava Jato, suspeito de ocultar documentos. Parte da papelada que a PF conseguiu apreender dá, segundo investigadores, algumas pistas de como Costa planejava usar familiares em negócios considerados suspeitos. Um dos documentos diz respeito à abertura de empresas em paraísos fiscais em nome da mulher e das duas filhas dele.

Depois de passar 59 dias na cadeia, o ex-diretor da Petrobras foi solto e voltou a ser preso dias depois, dessa vez por risco de fuga. Costa escondeu da polícia que tinha um passaporte português e contas na Suíça com saldo de U$ 23 milhões.

As contas atribuídas a Costa e a seus familiares estavam em nome de empresas estrangeiras sediadas em paraísos fiscais, um recurso usado para dificultar que as autoridades encontrem e sequestrem os valores.

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