Movimentos sociais exigem adequações na Zona Cultural Praça da Estação

Reunião para eleição do conselho consultivo termina com ultimato à PBH; representantes de movimentos sociais alegam que decreto publicado não cumpre o que foi acordado

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Entre os grupos presentes na reunião, estavam os organizadores do Praia da Estação, que ajudaram a elencar as três demandas que serão apresentadas à Prefeitura de Belo Horizonte
CRISTIANO TRAD / OTEMPO 22/01/1
Entre os grupos presentes na reunião, estavam os organizadores do Praia da Estação, que ajudaram a elencar as três demandas que serão apresentadas à Prefeitura de Belo Horizonte

O cenário do Teatro Marília na última quinta-feira – semivazio, com menos de 30 pessoas, incluindo funcionários da Fundação e membros do Conselho Municipal de Cultura (Comuc) – era a própria descrição dos motivos que fariam com que o principal objetivo da noite não fosse alcançado. A reunião pública convocada pela FMC devia eleger os três representantes da sociedade civil no conselho consultivo que irá elaborar o plano diretor da Zona Cultural Praça da Estação. Mas, ao contrário dos encontros do ano passado – abarrotados de “pessoas que querem discutir o mundo, e fazem isso por meio da praça”, como bem definiu Sônia Maria Augusto, funcionária da Fundação que presidiu a reunião –, grande parte da sociedade civil parece ter desistido de participar do processo.

“Convidei pessoas. Algumas tinham compromisso, outras se disseram descrentes, e outras nunca se interessaram por discussões mais coletivas”, listou Augusto. Mas o real motivo por trás do esvaziamento ficou bem claro no encontro. “A sensação que fica é que estamos sendo enrolados, feitos de bobo para que o tempo passe e a prefeitura tome suas próprias decisões”, desabafou Leonardo Cezário, representante do Duelo de MCs.

Foi esse desencanto que levou os presentes a votarem, por 15 a 3, pela não-eleição do conselho até que a prefeitura atenda três condições. A primeira é a publicação do edital para programação e ação cultural da Zona, que havia sido prometido para março e até hoje não saiu. O segundo é a instalação de um corpo técnico fixo, com funcionários da FMC e escritório na própria praça, para atender as demandas e manter o diálogo com os representantes dos movimentos sociais e comerciantes da região. E o último é a volta dos pontos de ônibus para a rua Aarão Reis, cuja desativação tornou o local ainda mais deserto, perigoso e prejudicou o comércio local.

“Estima-se que 600 mil pessoas passem pela praça todos os dias. Mas ninguém para ali, todo mundo está indo ou vindo de algum lugar. Só quando tem o ponto de ônibus, ou um evento, alguém compra uma bala ou um refrigerante”, explicou o síndico do Edifício Central Antônio Eustáquio, dando voz à reclamação dos comerciantes da região.

Para os representantes, eleger o conselho seria “legitimar um atropelamento do governo com o qual a gente não concorda”, como colocou Cezário. “O plano diretor tem que ser discutido abertamente com a cidade e todos os agentes envolvidos, e não terceirizar esse processo para um conselho”, defendeu Rafael Barros, representante do Comuc.

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