Integrantes de ocupações na Granja Werneck ocupam agência da Caixa

CEF, gestora operacional dos recursos do Programa Minha Casa, Minha Vida, é responsável direta pelo desalojamento das 8.000 famílias que construíram suas casas nas ocupações do Isidoro, segundo os integrantes das ocupações

iG Minas Gerais | Da Redação |

As famílias das comunidades Vitória, Rosa Leão e Esperança, que vivem desde o dia 06 de agosto o drama constante do despejo com a demolição das suas casas, ocupam na manhã desta sexta feira (22), a agência da Caixa Econômica Federal (CEF) da avenida do Contorno, na Savassi, em Belo Horizonte. A CEF, gestora operacional dos recursos do Programa Minha Casa, Minha Vida, é responsável direta pelo desalojamento das 8.000 famílias que construíram suas casas nas ocupações do Isidoro, segundo os integrantes das ocupações.

Segundo os representantes das famílias, no dia 27 de dezembro de 2013, a CEF celebrou Contrato por Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóvel e de Produção de Empreendimento Habitacional no Programa Minha Casa Minha Vida, referente ao empreendimento Granja Werneck – Fase 1, com 8.896 unidades habitacionais (predinhos de 5 andares sem elevador com apertamentos de 40 e poucos metros quadrados só) a serem construídas no terreno onde atualmente se situa a ocupação Vitória. O contrato, firmado com as empresas Granja Werneck S/A, Bela Cruz Empreendimentos Imobiliários Ltda e Direcional Engenharia S/A, estabeleceu como condicionante para ser registrado em cartório e gerar seus efeitos a liberação do imóvel que à época já estava ocupado por famílias de baixa renda.

"Ora, como é possível um banco público, controlado pelo Governo Federal, colocar como condicionante contratual para a construção de empreendimento do Programa Minha Casa Minha Vida o despejo de famílias pobres que legitimamente ocuparam e construíram suas casas em terreno abandonado há décadas, sem cumprir sua função social? O mesmo banco que financia a construção de habitação de interesse social com recursos públicos federais, é o que exige a destruição de casas auto-construídas com o trabalho e o suor de famílias pobres, excluídas de qualquer possibilidade de aquisição de uma moradia digna por outros meios", questiona o grupo.

Leia tudo sobre: habitaçãoocupações