Bate debate 22/8/2014

iG Minas Gerais |

Mudança geral   Rudá Ricci Sociólogo e doutor em ciências sociais     A morte de Eduardo Campos foi uma tragédia para a política nacional. Era o único político de sua geração que transpirava política, se envolvia com este peculiar jogo de xadrez e tinha voz de comando. Mas a comoção com sua morte pouco explica Marina Silva figurar em segundo lugar na última pesquisa nacional de intenção de voto para as eleições de outubro. Entre os eleitores que declararam voto diminuiu drasticamente o índice de indecisos (que eram 14% e caíram para 9%) e dos que declaravam votar branco ou anular seu voto (de 13% para 8%). Mais: entre os jovens de 16 a 24 anos, brancos e nulos somaram 8%. Antes, totalizavam 14%.   Marina recuperou seus eleitores históricos, aqueles que cravaram o voto na ambientalista em 2010: os muito jovens (sete pontos acima de sua média), os que têm curso universitário (nove pontos acima), os de renda mais alta (oito pontos acima), os moradores das grandes e médias cidades (quatro pontos) e os evangélicos (até seis pontos acima da média), como verificou José Roberto Toledo. É forte no Norte/Centro-Oeste e no Sudeste, mas é frágil no Sul e Nordeste. Tem força nas metrópoles, mas enfraquece no interior. Enfim, retorna ao centro da política brasileira como candidata da terceira via e quebra a polarização PT-PSDB. Não se trata, portanto, de um resultado à luz da comoção do falecimento de Eduardo Campos.    Com Marina, o primeiro alvo atingido foi o candidato Aécio Neves. Já estava empacado nos 20%. A tendência é que os eleitores dele, opositores de Dilma Rousseff, mas nem tanto identificados com o perfil de Marina Silva, migrem para alguém mais potente para derrotar a candidata à reeleição. O segundo alvo será Dilma Rousseff. Se mantiver os atuais índices, leva a eleição para o segundo turno. Será o rosto sisudo contra o rosto sofrido. Imagine o leitor com qual perfil tende a se identificar a maioria do eleitorado brasileiro.    Mas, nem tudo são rosas para a candidata do PSB/Rede. Marina foi amarrada a acordos previamente estabelecidos por Campos. Acordos que, em parte, transfiguram sua história e a aproxima do programa dos seus adversários. Terá, ainda, que dizer que país efetivamente quer construir. Também enfrentará o desafio de não ter a legião de cabos eleitorais que PT e PSDB possuem e que são fundamentais para as versões que são disseminadas nos rincões do país.  O desafio de conquistar o Sul do país ficará por conta do embate com as alianças governistas, gerando uma força centrípeta oposicionista. No Nordeste, terá mais chances de quebrar a hegemonia lulista que Aécio.    O fato é que agora se tornará telhado. E o perfil sofredor, de mulher pobre que se fez por sua própria determinação, evangélica, que sempre esteve do lado mais fraco da corda, será muito pouco para governar o país. A campanha está no início. Mas com Marina, tudo ficou mais emocionante e duvidoso. Até mesmo para a coordenação de sua campanha. 

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