Comboio russo atravessa para Ucrânia, que denuncia invasão

O diretor dos serviços de segurança da Ucrânia, Valentin Nalivaichenko, acusou a Rússia de "invasão direta" do território; a Ucrânia não vai usar força contra o comboio para evitar provocações, disse Nalivachenko

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Os primeiros caminhões do comboio humanitário russo atravessaram nesta sexta-feira (22) a fronteira ucraniana sem a autorização de Kiev.

O diretor dos serviços de segurança da Ucrânia, Valentin Nalivaichenko, acusou a Rússia de "invasão direta" do território.

A Ucrânia não vai usar força contra o comboio para evitar provocações, disse Nalivachenko.

Um comandante rebelde no local disse que 34 caminhões atravessaram. Do lado russo da fronteira, um repórter da Associated Press contou mais 32 veículos que entram na zona alfandegária.

Os caminhões, carregados com água, geradores e sacos de dormir enviados por Moscou, são destinados aos civis na cidade de Lugansk, no leste da Ucrânia, onde ocorrem combates entre separatistas pró-russos e forças do governo ucraniano. A cidade está cercada pelo Exército e há mais de três semanas falta água, luz e a rede de telefonia está inoperante.

Minutos antes, a chancelaria russa havia anunciado que o comboio com ajuda humanitária russa para a população do leste da Ucrânia entraria no país mesmo sem autorização do governo de Kiev.

Os caminhões ficaram estacionados na fronteira por mais de uma semana, levando o ministério das Relações Exteriores da Rússia a criticar Kiev por dificultar a entrega.

"Todos os pretextos destinados a retardar a entrega de ajuda às zonas em situação de catástrofe humanitária se esgotaram. A Rússia decidiu agir. Nosso comboio com ajuda humanitária está seguindo para Lugansk", afirma um comunicado do ministério das Relações Exteriores.

A Rússia culpou o governo de Kiev por continuar a atacar zonas residenciais por onde o comboio teria que passar, tornado assim o trajeto inseguro.

Inspeção

Os primeiros caminhões do comboio atravessaram a fronteira russa em direção à Ucrânia na quinta (21) e foram inspecionados pelos guardas de fronteira ucranianos, um procedimento indispensável para que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) possa distribuir a ajuda à população de Lugansk.

Nesta sexta, eles avançaram pela fronteira ucraniana através do posto de fronteira de Izvaryne, controlado pelas milícias separatistas pró-russas. Na quinta, os rebeldes haviam concedido aos guardas de fronteira ucranianos permissão para acessar o local e verificar os caminhões.

O CICV, no entanto, afirmou nesta sexta que seus representantes não estão acompanhando o comboio humanitário russo que entrou no leste da Ucrânia, pois não receberam "garantias de segurança suficientes".

A decisão de que não era seguro transportar a carga humanitária foi tomada depois que uma pequena equipe de dirigentes do Comitê informou sobre intensos bombardeios durante a noite no reduto rebelde de Lugansk.

Pouco depois de deixar da cidade fronteiriça de Izvaryne, o comboio saiu da estrada principal para Lugansk e seguiu para o norte em uma estrada de terra.

Essa rota também leva a Lugansk e o desvio deve ter o objetivo de evitar as áreas controladas pelas tropas do governo.

As autoridades ucranianas temem que o comboio, de 260 veículos, sirva de pretexto para uma intervenção direta da Rússia na Ucrânia, o que Moscou nega.

Moscou alega que "todas as garantias indispensáveis foram apresentadas" e que o itinerário previsto do comboio foi verificado pelo CICV.

O comboio, com cerca de duas mil toneladas de ajuda, partiu dos arredores de Moscou há dez dias e há oito está na fronteira com a Ucrânia.

A Rússia nega o envio de armas para ajudar os rebeldes no leste da Ucrânia, que sofreram uma série de derrotas nas últimas semanas. Os separatistas se concentram agora em torno das cidades industriais de Donetsk e Lugansk.

Depois de quatro meses de combates, causando mais de 2.000 mortes, o leste ucraniano enfrenta uma crise humanitária –faltam alimentos, remédios e água limpa.

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