A cobertura nos clubes

iG Minas Gerais |

A respeito da coluna da semana passada, quando falei do “Triunfo dos Idiotas”, recebi vários e-mails de leitores, alguns questionando o papel da imprensa e cobrando investigação maior dos jornalistas sobre o que se passa nos clubes, especialmente nos de BH. Penso que não cabe a nós, jornalistas, investigar os clubes. A cobertura jornalística esportiva tem que seguir os mesmos critérios de apuração, ética e responsabilidade dos preceitos que regem a profissão. O problema é que essa cobertura diária cria certas barreiras e impõe critérios restritivos por parte dos clubes. Algo em torno de 10% das coisas que acontecem dentro de um clube de futebol chegam até os torcedores. São vários filtros. Para começar, as assessorias de imprensa constituídas pelos clubes, na verdade, existem não para assessorar o trabalho dos jornalistas, mas para trabalhar melhor o que pode e o que não pode ser divulgado. Profissionais experientes e alinhados com a filosofia de cada clube lidam diariamente com os jornalistas e auxiliam os dirigentes no manejo dos problemas que constantemente surgem dentro da instituição. Um trabalho muito competente, diga-se de passagem. Ainda existe dentro dos clubes um submundo dissociado da transparência.

Enlatados. A pasteurização da informação deixou o noticiário esportivo muito chato. O que se ouve no rádio é o que se lê nas redes sociais ou se vê na TV e se lê nos jornais. São os mesmos entrevistados, os mesmos cenários e os mesmos assuntos. A ditadura do conteúdo proliferou e foi assimilada de forma passiva pelos jornalistas. Um lado manda, o outro obedece.

Semelhanças. Na coluna de quarta-feira, Tostão foi muito feliz ao buscar semelhança no futebol de Everton Ribeiro e Ricardo Goulart com o de Özil e Müller. Também gosto do futebol de jogadores próximos com características diferentes. Ainda bem que essa comparação foi feita por Tostão, porque eu nunca teria coragem de escrever isso, apesar de pensar assim.

Explicações. Não adianta ficar procurando um motivo ou uma causa para justificar a atual fase do time atleticano. Um conjunto de fatores levou à atual situação. E olha que o time não está tão ruim assim. O problema é a base de comparação. Com o arquirrival em destaque, nada fica bom se você está atrás.

Coirmãos. A concorrência faz muito bem ao futebol. Os clubes travam uma disputa interna e externa para superar o rival. Ao longo da história, o crescimento de um obrigou o outro a crescer também. Superar o “inimigo” ou o adversário sempre foi a grande meta dos dirigentes e, por isso, nunca se pode pensar em matar o nosso adversário. Precisamos dele para crescer.

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