Os dois têm razão e perdem

iG Minas Gerais |

O luto do PSB e da Rede Sustentabilidade durou uma semana. A morte do presidenciável Eduardo Campos ocorreu em 13 de agosto. Na noite de anteontem, as lideranças políticas do partido, incluindo a própria substituta de Campos na chapa, a ex-senadora Marina Silva, já estavam em guerra. E qual o motivo dessa guerra? O mesmo de qualquer conflito: a disputa de poder. É assim que as coisas acontecem em qualquer setor da vida humana, mas na política o poder é determinante. Dele não se abre mão, em situação alguma. Carlos Siqueira, que tinha o controle da campanha de Eduardo Campos, não aceitou as condições – para alguns, imposições – colocadas por Marina Silva. Siqueira lembrou de forma enfática que ele é parte integrante e importante do partido, muito antes de ela estar presente na legenda. Aliás, ele classificou a presença de Marina no PSB: “Ela é hospedeira”. Do outro lado, a ex-senadora refrescou a memória dos pessebistas, lembrando que é ela a dona da viabilidade eleitoral. É bem provável que ambos tenham razão. Marina tem potencial grande de votação. Siqueira é uma liderança reconhecida e influente dentro do PSB. A questão é que os dois fatos são verdadeiros e importantes para a eleição. Marina, certamente, vai precisar de um partido estruturado para fazer uma boa campanha. Já o PSB não pode prescindir da ex-senadora porque não possui uma liderança capaz de ocupar a vaga de Eduardo Campos. A guerra interna não é boa para a candidatura do PSB e da Rede. Ela somente favorece os adversários que, certamente, estão se aproveitando desse tempo de luto seguido por rachas. A solução que será dada para essa situação poderá levantar ou afundar a candidatura de Marina Silva. O tempo que o PSB e a Rede vão gastar nesse entrave também é fundamental para o sucesso da campanha. Mas seja qual for a resposta dada ao problema, já há aí alguns indicativos para o eleitor. O primeiro deles é a dificuldade em se obter unidade nessa junção que Eduardo Campos tratou de construir. De forma rasteira, é possível pensar que quem não consegue unir seu partido também não vai conseguir ter uma base de sustentação unida no Congresso Nacional. Ainda há outra questão para se pensar. As diferenças ideológicas entre Rede e PSB mostram que essa associação é tão oportunista como tantas outras, incluindo aquelas que Marina Silva sempre criticou. Afinal, a ex-senadora tem um discurso muito insistente em torno da necessidade de as alianças acontecerem de forma programática, e não eleitoreira. Seria importante que a campanha de Marina conseguisse mostrar ao eleitor alguns pontos em que o PSB e Rede se encontram, caso eles existam. Do contrário, a ideia de oportunismo vai vencer a tese da união programática.

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