Noventa e um milionários querem ser deputado federal

Políticos, empresários e advogados são os postulantes a uma cadeira na Câmara com mais posses

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Vivência. Elmiro Nascimento afirma ter a política no sangue
RICARDO BARBOSA/ALMG - 3.5.2007
Vivência. Elmiro Nascimento afirma ter a política no sangue

Os R$ 38 milhões em bens declarados à Justiça Eleitoral pela candidata a deputada federal por Minas Gerais Dâmina Pereira (PMN) é quase a mesma quantia que o postulante ao governo do Estado pelo PT, Fernando Pimentel, estima gastar em toda campanha eleitoral, cerca de R$ 42 milhões. Mas ela não é a única milionária a se lançar no pleito deste ano. Dos 697 candidatos a deputado federal de Minas Gerais, 91 têm patrimônio acima de R$ 1 milhão.

O levantamento feito pela reportagem de O TEMPO mostra que a política atrai pessoas com boas condições financeiras, já que 33 candidatos dentre os mais ricos já conseguiram uma cadeira na Câmara Federal. Além dos próprios políticos, a atividade que mais tem concorrentes ao cargo de deputado é a empresarial, com 21 representantes. A candidata mais rica do pleito é Dâmina Pereira, que acumula um patrimônio de R$ 38,8 milhões. Ela entrou na disputa após seu marido, o ex-prefeito de Lavras, no Sul de Minas, Carlos Alberto Pereira (PMN) ter candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). No ranking dos dez mais ricos, Leonardo Quintão (PMDB), Silas Brasileiro (PMDB) e Elmiro Nascimento (DEM) têm ou já tiveram mandatos. Juntos, eles têm um patrimônio de R$ 50 milhões. Além de Dâmina, outro candidato que é parente de político está bem ranqueado. Trata-se de Misael Varella (DEM), que tem patrimônio no valor de R$ 17,8 milhões. Ele é filho do deputado federal Lael Varella (DEM). Mas apesar de não precisar do salário de R$ 26,7 mil que os parlamentares recebem, os milionários dizem ter outras motivações para encarar a disputa: prazer e servidão. Ex-prefeito de Patos de Minas, ex-deputado estadual e atual primeiro suplente do senador e presidenciável, Aécio Neves (PSDB), Elmiro Nascimento garante que a política é um “gosto”. “Meu pai foi político e nasci dentro da política. Eu gosto muito de ajudar o meu partido, o Aécio e o candidato ao governo de Minas Pimenta da Veiga (PSDB)”, argumentou o dono do quinto maior patrimônio dentre os candidatos, com R$ 19,7 milhões. Aventurando-se em sua primeira disputa, o advogado Rodrigo Pacheco (PMDB), que possui bens avaliados em R$ 24 milhões, afirma que quer “servir à sociedade”. “Estou entrando na política por ideologia. Para ajudar a mudar o que não concordo. É uma maneira de retribuir a sociedade que me permitiu ter sucesso na minha carreira. Não preciso viver de política. Minhas intenções são as melhores”, enfatizou.

32% dos candidatos não têm bens Dos 697 candidato a deputado federal pelo Estado, 228 declararam ser “pobres”. O levantamento feito pela reportagem também listou os candidatos que registraram no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) terem “R$ 0” em bens. Essas pessoas informaram viver de profissões como cobrador de ônibus, policial, jornalista, garçom, cabeleireiro, além de aposentado e pensionista. De acordo com a Justiça Eleitoral, o TRE apenas recebe a prestação de contas e não verifica a veracidade da informação, a menos que o Ministério Público Eleitoral abra um processo de investigação. “O TRE não age sem denúncia do Ministério Público.”

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave