Sem competitividade, etanol perde clientes para a gasolina

Em Minas, para cada cem litros de gasolina comercializados, apenas 15 de álcool são vendidos

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

No posto. O estudante Bruno Machado já percebeu que, para o bolso, a gasolina é mais vantajosa
fotos uarlen valério
No posto. O estudante Bruno Machado já percebeu que, para o bolso, a gasolina é mais vantajosa

Nos postos de gasolina de Minas Gerais, para cada cem litros de gasolina vendidos, são comercializados apenas 15 de etanol. Há cinco anos, essa proporção era de 100 para 40. Para Mário Campos Ferreira Filho, presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de MG, do Sindicato da Indústria da Fabricação do Álcool no Estado de MG e do Sindicato do Açúcar no Estado de Minas Gerais (Siamig), essa situação é provocada pela manutenção dos preços da gasolina pelo governo federal. “São oito anos sem mexer no preço da gasolina. Já os produtores de álcool têm que repassar custos, e, com todos os esforços, não conseguimos manter a competitividade”, analisa.

Segundo Ferreira Filho, para ser competitivo, o preço do álcool precisa estar abaixo de 70% do preço da gasolina. “Porque o seu valor energético é menor”, explica ele. Segundo dados de preço da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em Minas Gerais, essa porcentagem está em torno de 73% e, na capital, o etanol é ainda mais caro e representa 74% do preço da gasolina. Segundo o presidente da Siamig, em 2009 “eram vendidos 100 milhões de litros de etanol por mês, e hoje a venda mensal está em apenas 60 milhões de litros”, informa Ferreira Filho. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Guimarães Júnior, confirma essa situação. “Percebemos a redução de venda do etanol. O que está acontecendo é que o preço final está acima de 70% do preço da gasolina. Assim, o álcool não é competitivo, e o cliente opta pela gasolina”, afirma Guimarães. Os consumidores também já perceberam que a gasolina é, no momento, o melhor negócio. Dono de um carro flex, o estudante Bruno Jaime Xavier Machado, 24, afirma que “o custo-benefício da gasolina é melhor. Nunca coloco álcool, coloquei uma vez e não valeu a pena”. Solução. Para aumentar a competitividade do combustível derivado da cana-de- açúcar, Mário Campos Ferreira Filho diz que é necessário diminuir a alíquota do ICMS em Minas Gerais. “Em 2010, o ICMS diminuiu de 25% para 22% em Minas Gerais, e depois, em 2012, foi para 19%. Hoje precisaríamos que a alíquota chegasse a 15%”, explica o presidente da Siamig. No Estado de São Paulo, onde a alíquota do ICMS está em 12%, o preço é mais competitivo. A relação de preço entre a gasolina e o álcool nas bombas de combustível paulistas é de 65,7%. “Nunca coloco álcool no meu carro flex quando estou em Belo Horizonte. Mas quando viajo para São Paulo, já começa a valer a pena”, explica o comerciante Harlen Luís Vieira. 

Oito usinas fecharam as portas em MG Nos últimos cinco anos, segundo o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de MG (Siamig), Mário Campos Ferreira Filho, oito usinas foram fechadas em função da queda nas vendas do etanol . “Entre 2003 e 2010, houve investimento no álcool: 23 usinas abriram no Estado”, informa Ferreira Filho. Em 2009, foram vendidos 1,2 bilhão de litros de etanol no país, e em 2013 esse número já havia caído para 727 milhões, segundo a ANP.

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