Grande cinema para grandes homens

Vencedor de nove Oscars, inclusive filme e direção, “Lawrence da Arábia” é sinônimo de grandiosidade

iG Minas Gerais | daniel oliveira |


Peter O’Toole foi indicado ao Oscar por seu primeiro grande papel no cinema
Columbia TriStar
Peter O’Toole foi indicado ao Oscar por seu primeiro grande papel no cinema

Anos depois de estrelar “Lawrence da Arábia”, o ator Peter O’Toole contou uma história em um talk show norte-americano para exemplificar a longa duração das filmagens. Segundo ele, há uma cena em que seu protagonista T.E. Lawrence desce uma escada conversando com o General Allenby (Jack Hawkins) e, como ela teve que ser refilmada no fim da produção, quando ele chega ao fim da escada, está um ano mais velho do que quando começou a descê-la.

A anedota deixa claro como tudo que diz respeito a “Lawrence da Arábia”, atração do Clássicos Cinemark, é impressionante. Com dois anos de pré-produção, 14 meses de filmagens, quase quatro horas de duração e um orçamento que equivaleria hoje a US$ 285 milhões, o longa de David Lean é considerado um dos paradigmas do “épico cinematográfico”.

Mais do que números, porém, o filme merece a posição porque a história real do militar inglês T.E. Lawrence, em serviço no Oriente Médio durante a 1ª Guerra Mundial, exemplifica com perfeição a definição do gênero. A transição e o conflito de lealdade do protagonista, obrigado a buscar durante o longa a resposta de por que ele luta, é a materialização da imponência do ambiente transformando o homem e sua moral.

E talvez nunca no cinema o ambiente foi tão imponente. A fotografia de Freddie Young, que rendeu à produção um de seus nove Oscars, é considerada até hoje uma das maiores realizações técnicas da sétima arte. O escopo épico é comprovado pela lente de 482mm, construída especialmente para “Lawrence”, batizada de “a lente de David Lean” e nunca mais usada.

Mas o poder da obra de Lean não reside somente na extravagância técnica. O diretor tem um domínio acadêmico quase inigualável da linguagem audiovisual, como fica claro no fato de que todo o movimento em “Lawrence” vai da esquerda para a direita, reforçando a ideia do filme como uma jornada. Junte esse talento na direção, a fotografia perfeita de Young e a trilha antológica de Maurice Jarre, gravada em apenas seis semanas, e é fácil entender porque o longa virou sinônimo de “grande filme”.

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