Há 25 anos o rock nacional perdia o seu Maluco Beleza

Se estivesse vivo, Raul Seixas, um dos ícones da música brasileira dos anos 70 e 80 estaria com 69 anos; cantor se eternizou e continua influenciando gerações de artistas

iG Minas Gerais |

Sucesso. 
Ao longo da carreira, que durou 26 anos, Raul Seixas lançou 17 discos e deixou músicas memoráveis
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Sucesso. Ao longo da carreira, que durou 26 anos, Raul Seixas lançou 17 discos e deixou músicas memoráveis

“Eu te detesto e amo morte, morte, morte / Que talvez seja o segredo desta vida”, já dizia “Há 10 Mil Anos Atrás” , quinto álbum solo de Raul Seixas, logo em sua primeira faixa, “Canto para Minha Morte”. Morte que seria precoce para a maioria, mas que talvez não tenha sido para Raul, dada a intensidade de sua vida. Dessa forma, há 25 anos, em 21 de agosto de 1989, o eterno Maluco Beleza morria em São Paulo, deixando uma legião de fãs e um trabalho que se eternizaria na cultura e na mente dos brasileiros.

Baiano de Salvador, Raul nasceu em 1945 e fez parte da geração de grandes nomes da música vindos da Bahia, como Gal Costa, Gilberto Gil e os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Porém, diferente deles, só estourou após deixar o grupo Raulzito e os Panteras, quando lançou no início da década de 70 o álbum “Krig-ha, Bandolo!”, com músicas como “Al Capone” e “Ouro de Tolo”. Esta última é uma crítica ao conformismo do estilo de vida da classe média, proporcionado pelo boom do milagre econômico da ditadura militar, – e foi eleita pela edição brasileira da revista “Rolling Stone”, como a 16ª melhor na lista das cem maiores canções brasileiras.

Durante a década de 70, Raul viveu o auge, emplacando grandes sucessos e lançando em carreira solo mais seis discos, além do álbum de estreia “Krig-ha, Bandolo!”, que foram “Gita” (1974) – o mais vendido do artista –, “Novo Aeon” (1975), “Há Dez Mil Anos Atrás” (1976), “O Dia em que a Terra Parou” (1977), “Mata Virgem” (1978), e “Para Quem os Sinos Dobram” (1979).

Na década de 80, Raul Seixas viveu um período de altos e baixos, mergulhado no alcoolismo e sofrendo várias internações para desintoxicação. Apesar disso, foi convidado para gravar o especial infantil “Plunct, Plact, Zuuum”, em 1983, na Rede Globo, que ficaria marcado na memória do público. Nesse período, o artista lançou seis discos, nem todos de grande sucesso, com destaque para “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!”,

O último trabalho de Raul acabaria sendo o disco “A Panela do Diabo”, em parceria com o músico Marcelo Nova, lançado em 19 de agosto de 1989 – dois dias antes da morte do cantor, aos 44 anos, de parada cardíaca. À época o Maluco Beleza já era considerado o pai do rock brasileiro.

Influência para gerações

Mesmo após 25 anos de sua morte, Raul Seixas continua sendo um símbolo para os músicos brasileiros e fãs do rock nacional.

O músico Vitor Soares, que tinha apenas 13 anos quando Raul Seixas morreu, e é conhecido por animar bares em Contagem, afirma que o cantor foi o grande e corajoso protagonista do rock no Brasil. “Quando comecei a tocar violão, meu irmão mais velho era louco por Raul e me ensinava canções como ‘Medo da Chuva’ e ‘Metamorfose Ambulante’. Da discografia em vinil do Raul, se não me engano, tenho 18 discos”.

Ainda segundo o artista, no Coliseu da Carne, conhecida churrascaria da cidade na qual ele se apresenta, o público tem uma sina com as canções “S.O.S” e “Tu És o MDC da Minha Vida”, que há muitos anos ele toca praticamente todos os domingos a pedido do público.

Opinião compartilhada por Dâmaris Starling, uma das vozes da banda Homero Aprendiz. Ela afirma que Raul é mais que uma referência para a música brasileira. “Muitas gerações se espelharam e ainda se espelham na sua forma de enxergar a vida. Raul Seixas sempre foi um símbolo de tudo que eu queria e esperava na música. Além de ser um grande letrista, sua versatilidade musical representava muito bem o Brasil, sem se perder do rock'n roll”.

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