“Uma das grandes ameaças internacionais é o Estado Islâmico”

Jorge Lasmar - Chefe de departamento de Relações Internacionais PUC Minas

iG Minas Gerais |

O que o grupo espera conquistar ao decapitar um jornalista norte-americano? Eles querem passar a mensagem de que os norte-americanos não estão seguros, que eles podem atacar fora da Síria e do Iraque. Também estão avisando que estão fazendo planos para atacar em outros lugares.

Que reação podemos esperar dos EUA? Isso é o que eles estão discutindo desde o começo da crise. Qual será o grau de intervenção? O mais provável é que os EUA aumentem os esforços indiretos, armando forças locais. Vai ter uma restrição muito grande dos próprios EUA para entrar no país.

Não é negativo para o Obama (presidente dos EUA) ver um cidadão ser morto e ele não reagir de forma mais incisiva? Pega muito mal para ele. Não só pela decapitação. Eles saem do Iraque e isso acontece, o que mostra toda uma falha de planejamento. O governo local não estava pronto. A decapitação mostra que a missão no Iraque não está cumprida. Assim, Obama fica em um saia justa porque a promessa dele de campanha foi sair da região. E os republicanos colocam ele como um político fraco, que não cumpre o que prometeu.

Muitos estrangeiros estão migrando para o Estado Islâmico. Por quê?

Esta questão do estrangeiro não é nova, isso tem sido falado há mais de um ano e meio. O Estado Islâmico (EI) tem um apelo muito grande aos estrangeiros, principalmente quando foi conclamado o califado. E a medida que eles vão ganhando a atenção da mídia, vão atraindo mais e mais estrangeiros.

Qual é a atração do EI? Ideológica. O EI tem uma ideologia radical que eles compartilham. Tem também as pessoas que vão pela adrenalina de pegar em uma arma, de participar de um combate na vida real. Eles têm todo um discurso que é atrativo aos estrangeiros. É importante também entender o que é esse Estado Islâmico. Ele era a presença da Al Qaeda no Iraque. Eles brigaram e se dividiram, mas eram a Al Qaeda na região. É um grupo radical violento que vê o mundo ocidental como inimigo. É importante entender que eles têm uma força impressionante. Mesmo que sejam só conversa (e não uma nação real). Uma das grandes ameaças internacionais é, sem dúvida, o Estado Islâmico.

Existe a chance de o EI formar, de fato, uma nova nação? Tudo depende da reação que os Estados tiverem agora. O EI tem o controle de fato em uma parte da Síria e o controle tem crescido no Norte do Iraque. Eles também têm adotado uma postura de criação de Estado. Estão exportando petróleo, vendendo energia, se apropriando dos bancos das cidades tomadas, estão oferecendo serviços de água e esgoto na região. Assim, eles vão se tornando extremamente perigosos, porque misturam combate com estrutura. O perigo de se perder o controle do território é real. (Flávia Denise)

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