No adeus final, Eduardo oferece a vida pelo seu povo

iG Minas Gerais |

É conhecida a saga do rei Midas. Vale repeti-la, nestes momentos tensos e sofridos em que a nação assistiu ao desaparecimento de um jovem e valoroso homem público que, em fileira com não muitos outros (porque o país está falto de políticos à luz da sua grandeza e dos seus tormentos e desafios), trafegava, seguro e célere, na ampla estrada dos seus sonhos generosos, para transformá-los em realidades a favor da sua gente. Midas pertence à mitologia grega, baseado em outro rei de mesmo nome, governante da Frígia, no século VIII a.C., por onde peregrinou o apóstolo Paulo e é hoje região da Anatólia, na Turquia. A saga do soberano mitológico dá conta de que recebera ele de Dionísio, deus do vinho, o talento de transformar em ouro tudo o que tocava. Interessante na lenda que se formou é a sua natureza metafórica para o meio social contemporâneo, de sorte a tornarem-se facilmente compreensíveis, na nossa cultura, analogias simbólicas como a de alguém, uma entidade ou instituição possuírem dons, talentos ou desditas oriundas de um “complexo de Midas”. Nessa terrível síndrome investiu-se o PT, mas às avessas, já que nunca o seu toque gerou ouro; tem sido sempre o contrário. Como partido político, montou a militância, instrumento diabólico de ação para operar-lhe os objetivos, podendo persegui-los de forma legítima ou ilegítima, lícita ou ilícita. Recusando adotar qualquer princípio de moral pública, cuja existência não reconhece, apesar de o texto constitucional de 88 proclamá-la solenemente, não se pejam de praticar atos, ordenados ou não pela hierarquia em benefício do partido ou dos que lhes fruam os resultados. Empurrado pelo complexo de Midas, irrompe-se o surto da corrupção, da banalização da propina, do aparelhamento estatal, deflagrando os sucessivos escândalos na administração pública, denunciados sistematicamente. Não é de admirar, pois, os índices de rejeição, quase ao mesmo nível dos de aprovação, da candidata à reeleição.  Também não é de causar estranheza a névoa cinzenta que encobre a nação de um clima de exaustão, de desânimo, de desinteresse e desconfiança, denominado pela presidente da República de pessimismo doentio, para esconjurá-lo, como se lhe fugisse à compreensão que, em princípio, o chefe do governo é o primeiro responsável pelo que ocorre. Com o desmando generalizado, formou-se corajosa legião de devotados ao serviço da pátria, a qual decifrou o aparente mistério, levando-a a partir para a reação, disposta a provocar mudanças e devolver ao Brasil cuidados, zelo, atenção e entrega à sua causa. Entre os patrióticos legendários sobrelevou, intimorato, o “El Cid” pernambucano, que, movido pelas urgências do momento, não temeu a missão que se impôs: “Não vamos desistir do Brasil”. Eduardo Campos se imolou, aos 49 anos, pela pátria e dela se tornou nobre e fiel legendário. Vamos honrar-lhe a memória, retirando do templo que abraçou os vendilhões que o enxovalharam.

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