Muita água ainda passará por debaixo dessa ponte de Babel

iG Minas Gerais |

DUKE
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Concordo plenamente com o que vem dizendo a maioria dos analistas, desde o trágico desaparecimento de Eduardo Campos, sobre a próxima sucessão presidencial: tudo o que se pensar neste instante não passa de especulação, apesar da pesquisa Datafolha, que registrou o que todos nós já esperávamos. Dilma, 36%, manteve-se no seu patamar; Aécio (20%) não caiu; e parte dos indecisos foi para Marina, que confirmou o mesmo recall que conquistou em 2010 (21%). A única certeza – que sobressai desse cipoal de especulações – talvez seja a de que pode estar chegando ao fim o “reino eterno” que um simples “animador de auditórios” desejou construir no país a partir de 2002; depois, tentou dar continuidade em 2010, pelo menos até a sua (improvável) volta em 2018, por meio de sua “gerentona”, que corre o sério risco de nos entregar um país em plena recessão. Marina deverá ser (escrevo um dia antes da sua homologação como candidata do PSB) não a herdeira, mas a única substituta viável de Eduardo Campos. Encontrará, certamente, obstáculos de origens diversas. Decidiu aceitar a candidatura, mas precisa provar aos companheiros que aceitou, igualmente, o PSB; terá que aderir a palanques que antes evitava; terá que ter saúde, energia e disposição, além de apoio material e financeiro, para percorrer o país; terá, ainda, que assinar um compromisso, que já ganhou o nome de “testamento político”, a ser fielmente seguido por ela e pelo seu grupo. “Marina faz política de um jeito que não é o nosso”, disse o candidato do PSB a vice-governador na chapa de Geraldo Alckmin, Márcio França. “Ela era a grande puxadora de votos. Agora, ele (Eduardo) é o grande puxador. É o mundo real que terá que ser colocado para que ela faça a sua escolha. Marina não era responsável por nada na campanha. Ela não sabe nem quanto custa o aluguel do comitê”, afirmou França. Por outro lado, os companheiros do PSB não se esquecem de que, ainda segundo França, teria imposto uma regra aos candidatos do PSB – a de que não usassem a sua imagem, em suas campanhas, sem o seu prévio e expresso consentimento. Alguns petistas “afirmam” que preferem Aécio no segundo turno. Essa preferência pode ser a sinalização de que já estão em busca dos votos de Marina. Eles sabem que a chance de enfrentar o senador mineiro, em razão de fatores bastante conhecidos, é a mais provável. Só a comoção com a morte de Eduardo Campos não tornará Marina a preferida do eleitorado que deseja mudanças. Esse quadro se definirá até o início de outubro.   Os apoiadores da reeleição de Dilma botaram as barbas de molho: de fato, não será nada fácil, no segundo turno, enfrentar a experiência, a jovialidade e a juventude de Aécio. Outro cenário sonhado (pelo PT?) – Marina e Dilma no segundo turno – pode fazer de Aécio o verdadeiro talismã das eleições de outubro. Ou o PT não sabe disso? Ou será que ele faz o jogo pelas avessas? Ou o que ele teme é o retorno à cena do objetivo defendido pelos dois, Aécio e Eduardo – o de pôr fim a um projeto de poder, não de governo, que tem devastado as energias do país e contribuído para levar o ceticismo e a desesperança aos corações de milhões de brasileiros impacientes e profundamente descontentes? Tancredo Neves costumava dizer que a “Presidência da República é questão de destino”. Nesse conceito se encaixa, como uma luva, mais do que em qualquer outro candidato, o mineiro Aécio… Muita água ainda passará por debaixo dessa ponte…

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