BC libera dinheiro para bancos

Para melhorar liquidez do mercado financeiro, governo injeta mais R$ 10 bi do compulsório

iG Minas Gerais |

Impulso. O mercado de veículos , com vendas em baixa, cobrava desde o início do ano medidas do governo para estimular o crédito
[CREDITO]PAULA HUVEN/12.8.2013
Impulso. O mercado de veículos , com vendas em baixa, cobrava desde o início do ano medidas do governo para estimular o crédito

BRASÍLIA. O Banco Central (BC) anunciou ontem um novo conjunto de medidas para liberar capital dos bancos e injetar dinheiro na economia para estimular o crescimento. A autoridade monetária fez uma mudança nos depósitos compulsórios, a parte dos recursos dos clientes que os bancos são obrigados a recolher aos cofres do BC. Essa alteração deve colocar R$ 10 bilhões em circulação.

A autarquia também reverteu todas as medidas tomadas em 2010 para restringir o crédito, batizadas de macroprudenciais. Isso libera mais R$ 15 bilhões do capital dos bancos, o que poderia gerar empréstimos novos de até R$ 140 bilhões. Há menos de um mês, a autarquia anunciou mudanças que, juntas, tinham um potencial de irrigar a economia com R$ 45 bilhões.

Para estimular os bancos a não deixarem dinheiro parado no Banco Central, a autarquia decidiu subir de 50% para 60% a parcela do compulsório sobre depósitos a prazo (como CDBs) que não terá remuneração. Ou seja, ficaria parada no cofre do BC sem render nada. Por outro lado, as instituições podem usar esse dinheiro para fazer novos empréstimos ou até comprar carteiras de operações de crédito de bancos menores.

O Banco Central ainda permitiu que Letras Financeiras – título de dívida de banco – sejam usadas para o cumprimento da exigibilidade sobre os recursos a prazo. Ou seja, isso libera mais dinheiro para os bancos emprestarem. Na prática, as mudanças punem o banco mais conservador e estimulam o consumo com R$ 10 bilhões na praça.

Uma das preocupações é com o segmento de veículos. Em 2010, a avaliação era que os bancos estavam com ofertas irresponsáveis, já que financiavam carros usados num prazo tão longo que, no final do contrato, o bem já não valia mais nada e não poderia ser usado como garantia. Com isso, as pessoas paravam de pagar. Agora, o quadro mudou.

Para incentivar o setor, o BC reverteu o restante das medidas macroprudenciais de 2010, que desincentivava os bancos a emprestarem por prazos mais longos. Em alguns casos, o BC chegou a exigir que a instituição tivesse três vezes mais capital para realizar uma operação muito longa. Agora, qualquer financiamento terá o chamado Fator de Ponderação de Risco (FPR) de 75%. Ou seja, o banco tem de manter um capital de 75% do valor da operação para fazer o empréstimo.

Consignado. As medidas vão beneficiar a concessão de crédito consignado para servidores, disse o chefe do departamento de Regulação Prudencial e Cambial do Banco Central, Caio Ferreira. Na prática, deve ampliar a oferta de recursos ou reduzir o custo das operações. A norma reduziu o FPR de 75% para 50%. “Quando reduzimos o requerimento de capital, tem potencial de crescimento”.

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