Mina de Eike vai parar em setembro e preocupa cidades

Queda do preço do minério é um dos motivos da interrupção da produção por 30 dias

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Eike deixou de ser bilionário e hoje tem US$ 300 milhões
ALEXANDRE GUZANSHE/O TEMPO
Eike deixou de ser bilionário e hoje tem US$ 300 milhões

A mineradora MMX, última das principais empresas do Império X ainda sob controle de Eike Batista, dará férias coletivas de 30 dias aos trabalhadores da mina de Serra Azul, que fica entre as cidades de Igarapé e São Joaquim de Bicas, na região Central de Minas Gerais.

Segundo a companhia informou em fato relevante, a paralisação forçada dos funcionários é motivada pela queda do preço do minério de ferro no mercado internacional e por restrições impostas à operação da mina pelo órgão ambiental do Estado. As férias coletivas começarão na primeira semana de setembro e não vão abranger funcionários responsáveis pela manutenção e pela administração da mina.

A decisão levou preocupação às cidades. “Uma notícia dessas é extremamente desagradável, ainda mais em um momento em que a economia está desacelerando”, afirma o prefeito de Igarapé, José Carlos Gomes Dutra, conhecido como Kalu.

Ele diz que a mina já vinha reduzindo a produção, o que deixa os trabalhadores preocupados em relação à retomada das atividades no fim das férias coletivas. “Esse clima de incerteza é muito ruim”, diz. Outra preocupação é com a arrecadação do município. Os impostos pagos pela mineradora entram no cálculo dos repasses que o Estado e a União fazem aos municípios. No caso de Igarapé, a MMX representa cerca de um terço desses repasses.

Com a redução da produção e, agora, paralisação temporária, a receita da cidade deve cair. O prefeito lembra que o clima na cidade mudou completamente nos últimos anos. Em 2012, a MMX chegou a anunciar investimentos de R$ 4,8 bilhões na expansão da mina. A capacidade de produção anual passaria de oito milhões de toneladas para 29 milhões de toneladas. No ano passado, a mineradora suspendeu o projeto e disse que deveria retomá-lo somente em 2015.

De acordo com a empresa, parte da crise é causada pela queda do preço da tonelada do minério no mercado internacional. No ano, a queda é de 30,7%. Anteontem, a cotação da tonelada era de US$ 93.

Plano de negócios. No mesmo comunicado, a MMX informa que revisará seu atual plano de negócios com objetivo de priorizar as iniciativas geradoras de caixa, no melhor interesse da companhia e de seus acionistas, “levando em conta a conjuntura de mercado, as necessidades de caixa de curto e médio prazos e a perspectiva econômico financeira do modelo de negócios da companhia”, disse o fato relevante.

Bovespa

Em baixa. Ontem, os papéis da MMX caíram 9,43%, a maior queda da Bovespa. Hoje, a empresa vale R$ 171,9 milhões. No início do ano, o valor era de R$ 681,3 milhões, segundo a Bloomberg.

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