Marina já é realidade

iG Minas Gerais |

O crescimento das intenções de voto na candidata Marina Silva (PSB) era esperado em relação ao percentual de Eduardo Campos, morto no último dia 13 em um acidente aéreo. Mas, a primeira pesquisa, divulgada na segunda-feira, com o nome da ex-senadora no lugar de Campos impressionou e muito. A candidatura do PSB saltou de um patamar inferior a 10% para 21%, de acordo como o Datafolha. Marina já apareceu um ponto percentual à frente de Aécio. Em relação a Dilma, ela fica à frente em um eventual segundo turno. Ou seja, como era esperado, mas não tão rápido, Marina bagunçou o quadro eleitoral. A única certeza até o momento é a ocorrência de segundo turno. Notícia ruim para Dilma – como o percentual de Campos era baixo, havia a expectativa da petista obter um índice superior à soma dos demais candidatos –, mas não necessariamente boa para Aécio. Se a presidente agora é obrigada a admitir uma nova batalha em outubro, o tucano vive a ameaça real de ficar fora desse embate. Não bastará a Aécio bater na presidente. Terá de fazer isso com extrema precisão de modo a migrar os votos indecisos para ele, e não, para Marina. E, pelo demonstrado até agora, o tucano ainda não achou esse tom. Para quem ainda não sabe em quem votar, Marina Silva pode parecer uma alternativa muito mais convincente em relação ao atual governo e a essa dualidade superficial entre PT e PSDB. O eleitor indeciso, se não se decidiu até agora, é porque não quer votar em Dilma, mas também não vê uma oposição satisfatória ao nome dela. Mesmo tachada de conservadora e dona de um discurso sustentável ainda meio obscuro, Marina surge no imaginário de parte do eleitorado como algo novo e poderá preencher essa vacância de alternativa. Neste momento, a arrancada ainda não consolidada da ex-senadora é ruim para petistas e pior ainda para tucanos, mas pode ser boa para o eleitor caso obrigue os candidatos a assumirem compromissos mais claros, a se arriscarem mais. A Marina caberá o desafio de sustentar o patamar de intenções de votos atingido ainda sob a comoção da morte de Eduardo Campos e avançar ainda mais sobre a parcela de indecisos. Terá de enfrentar também uma campanha pesada e imoral de seus adversários, principalmente do PT, para desconstruí-la. Ainda no velório do ex-governador de Pernambuco, uma imagem sua sorrindo para cumprimentar alguém já foi usada maldosamente como se ela estivesse posando para fotos no funeral. Caso resista a essas investidas e construa um discurso sólido, Marina Silva passa a ser uma candidata forte em um eventual segundo turno porque, seja contra quem for, terá o apoio do candidato eliminado no primeiro turno.

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