Amélia

iG Minas Gerais |

Hélvio
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Na semana passada fiz uma palestra na Sociedade Amigas da Cultura, cujo tema era “Mulheres”. Ao final, li um texto que escrevi e que repasso a vocês.   Sei que a “mulher de verdade”, como dizia Mário Lago em sua tão versada canção, não tinha a menooor vaidade. Eu tenho, talvez não tanto quanto deveria, mas tenho. Aliás, toda mulher deveria ter, até porque a vaidade está diretamente ligada à autoestima. Existe uma “Amélia” que considero modelo, estereótipo daquela que tudo faz para edificar e manter a harmonia no lar, não por obrigação, mas por prazer e sabedoria. Uma Amélia que não grita, que procura medir as palavras, espera o momento certo para tratar problemas, evita trazê-los para casa, está junto sem sufocar, opina na escolha da gravata, trabalha, estuda, lê muito, se interessa por política, atualidades, ri da piada, espalha flores pela casa, prepara jantares especiais, enxerga o mercúrio no termômetro, conta as gotas da Novalgina, toma café e janta junto, independentemente da hora, escreve bilhetinhos, discute de vez em quando, silencia-se quando necessário, separa para quem ama o melhor pedaço, respeita o seu silêncio, elogia e valoriza sempre as prerrogativas do companheiro. Uma Amélia que não quer medir forças e, como diz aquela velha frase, “não quer estar à frente nem atrás, mas ao lado”. Para isso, é preciso sabedoria, todo dia regar a plantinha... Inteligente e propositadamente se fazer de “protegida”, saber ceder sem se anular, ser tolerante, boa ouvinte, boa amante. Mas, acima de tudo, estar junto nas horas difíceis, pois existem mulheres que só reclamam e veem defeitos, principalmente nos momentos de crises ou recessão, justamente quando deveriam ajudar a enfrentar a situação, e não piorá-la com cobranças e exigências. Talvez, se as mulheres de hoje tivessem uma porção maior de Amélia, haveria nas relações mais equilíbrio. Invertem-se as posições. Hoje, os homens têm medo, deixam de ser protetores, pois elas, erroneamente, não querem mais ser “protegidas”. Perdeu-se o romantismo, aquela coisa da conquista. Passando de caças a caçadoras, assustam. Nem sequer dão tempo às descobertas... Precipitar pra quê? Tudo o que é difícil é mais gostoso, valorizado... E a mulher, nesse aspecto, vem perdendo o seu valor. Pelo simples prazer de uma noite, perdem o seu mistério, como se sexo e amor, para a maioria delas, fossem coisas distantes.  Acredito que toda mulher emancipada, emocionalmente inteligente, ciente de sua capacidade, tem sua porção Amélia naturalmente despertada quando existe a contrapartida: o respeito, a valorização e a troca por parte de seu companheiro. Lembremo-nos de que carinho e amor costumam ser devolvidos na mesma moeda. Enfim, não é fácil segurar as rédeas quando o estresse e as cobranças estão aí para desequilibrar. Trabalhando em três turnos, a mulher, após várias conquistas, vem alcançando cada vez mais o seu espaço.  Mas não seja por isso que vamos nos esquecer daquilo que temos de mais bonito e sagrado: a feminilidade e a doçura que Deus tão generosamente nos deu.

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