Criação pessoal pela dança contemporânea

iG Minas Gerais | Gustavo rocha |


Companhia Suspensa estreia e se aventura em trabalhos solos
PAULA HUVEN DIVULGAÇÃO
Companhia Suspensa estreia e se aventura em trabalhos solos

Com 14 anos de vida, os três integrantes da Cia. Suspensa sentiram necessidade de se enveredar por caminhos individuais nunca antes explorados no grupo e de criar trabalhos solos. Fruto disso, é o espetáculo “(1-p/3) 1 espaço para 3”, que estreia hoje, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna.

“A ideia é distanciar um pouco e não misturar meu trabalho com o de meu colega. Tenho a impressão de que assim, eu poderia ver o que meu companheiro de trabalho está fazendo, pensando, com um olhar menos preocupado”, revela Lourenço Martins Marques, integrante da companhia.

Os solos não trazem uma linha narrativa clara e deixam se levar pelo movimento, com uma margem para o improviso de cada intérprete. “A especificidade da dança que me agrada é essa potência de construir através do movimento algo que comunica, mas sem estar preso a uma explicação muito precisa”, pontua Marques.

Para composição dos solos de Marques e das irmãs Patrícia e Roberta Manata, os artistas receberam o apoio da dramaturgista Rosa Hercoles, que trabalhou com Klauss Vianna. “Cada um trabalhava no seu canto, na mesma sala, cuidando do próprio jardim. Ela tinha um tempo individual, mas no final, todo mundo se apresentava para todos. Isso nos ajudou porque deu uma noção de totalidade do trabalho”, garante. A coincidência do teatro receber uma antiga parceira de Klauss Vianna vem com uma notícia triste: esse é um espetáculo programado para o espaço que deverá ser fechado. “É uma pena, mas não é o fim, vamos continuar vigilantes”, garante.

De volta! A riqueza da cultura interiorana de Minas Gerais encontra um clássico da dramaturgia universal com o espetáculo “A Mandioca Brava” que volta ao cartaz hoje, no Spetáculo Casa de Artes. A peça se inspira em “A Mandrágora” de Maquiável. “Pegamos uma cidade do interior hoje e começamos a trabalhar dentro das questões da cultura mineira: o artesanato, as canções populares mineiras, as cerâmicas, as carrancas do rio São Francisco; e procuramos um alimento que representasse tudo que a mandrágora representa para os europeus. Por ser um veneno e ter uso medicinal, por dar essa interpretação sexual e parecer com pernas de mulher chegamos à mandioca brava”, comenta o diretor Yuri Simon.

O encontro de um clássico com a cultura mineira não é novidade para Simon, que já dirigiu “O Avarento” de Molière, nos mesmos moldes e prepara uma montagem de “Megera Domada”, de Shakespeare.

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