Jogadores cristãos pedem para Guarani tirar índio caboclo do uniforme

parte do elenco se sentiu incomodada em usar símbolo de religiões afro na camisa e atribuem ao talismã a má fase do time na Sérrie C

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

Imagem do índio caboclo faz parte da história do Guarani desde seu início
Reprodução/Facebook
Imagem do índio caboclo faz parte da história do Guarani desde seu início

A péssima campanha do Guarani na Série C do Campeonato Brasileiro já tem um culpado. O motivo de o Bugre estar na oitava posição do Grupo B do Nacional, com a pior média de gols do atual século, sete tentos em 11 rodadas, seria o mascote do time que estava estampado na camisa.

É isso que pensam parte dos jogadores do elenco do Guarani. Atletas evangélicos e católicos da equipe de Campinas pediram para que a direção do clube retirasse do uniforme a imagem do índio caboclo, que remete ao espiritismo e às religiões afrodescendentes, como a umbanda.

“Para uns, incomoda. Para outros, não. O evangélico não acredita na imagem, é insignificante. O católico já acha que é um símbolo do candomblé. O que nos foi passado é que é um símbolo do Guarani. O pedido dos jogadores foi para tirar. Eles iam se sentir mais confortáveis para atuar. Isso foi atendido. Estamos fazendo de tudo para que os jogadores fiquem confortáveis”, disse o técnico Evaristo Piza.

O Guarani é conhecido também como bugre, pela referência de seu nome às tribos indígenas brasileiras. O clube adota o índio caboclo como uma espécie de protetor desde a década de 1950, quando foi fundado. A maior glória da história da equipe campinense ocorreu em 1978, quando foi campeã brasileira, um ano após o talismã ser pintada na entrada do estádio Brinco de Ouro da Princesa.

Entretanto, desta vez, o que era para trazer sorte, não mudou os rumos do time nas quatro linhas e causou divergências internas. O clube decidiu colocar o índio caboclo estampado em sua camisa em maio, após o Bugre vencer o Macaé e quebrar jejum  de mais de dois meses, crendo que ele representaria uma nova era no Guarani. Mas de lá para cá, a equipe ganhou apenas um jogo, empatou três e perdeu dois.

A diretoria concordou em retirar o símbolo do uniforme, mas, no primeiro jogo após a mudança, o Guarani seguiu instável e empatou sem gols com o Madureira. Restam sete rodadas para os jogadores religiosos provarem que o problema do time era mesmo o índio.

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