Família de criança de 2 anos luta com prefeitura e plano por serviços

O serviço de uma enfermeira para acompanhar a criança deveria ser fornecido pela Unimed desde novembro do ano passado

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Criança de 2 anos e meio precisa de enfermeira, alimentação e equipamentos especiais
Arquivo pessoal/Divulgação
Criança de 2 anos e meio precisa de enfermeira, alimentação e equipamentos especiais

Com uma filha de 2 anos em estado semivegetativo,  a motorista de escolar Aline Priscila Faria, 26, vive uma batalha para conseguir equipamentos e serviços que deveriam ser oferecidos pela Unimed e pela Prefeitura de Ribeirão das Neves. Desde novembro a mulher luta para conseguir que o plano de saúde disponibilize uma enfermeira para acompanhar a filha em casa.

Anna Luíza Faria dos Santos nasceu no Hospital Odete Valadares, em Belo Horizonte. "Entrei em trabalho de parto prematuramente e, por imperícia médica, faltou oxigênio e minha filha nasceu dessa forma, além de eu ter quase morrido durante o procedimento", lembrou a mulher. Com nove meses a filha pode ir para casa, porém, precisaria de uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) em casa.

"Fizemos vaquinha para comprar alguns aparelhos e a Unimed forneceu os que faltavam. Entretanto, pelo contrato com o plano, minha filha tem direito à uma técnica de enfermagem em casa, por se tratar de uma paciente muito grave. Ela não tem reação, só se alimenta pela sonda e o quadro vai só piorando", explicou Aline.

Quando procurada pela mãe da criança, a Unimed teria informado que está montando equipe para ela, mas que está encontrando dificuldades por ninguém querer trabalhar em Ribeirão das Neves. "Desde novembro é isso, mas como oferecem um plano de saúde em uma cidade que não terão profissionais para trabalhar?", questiona a mulher.

Medicamentos

Outro problema vivido pela mãe de Anna Luíza é com relação aos remédios que a garota precisa tomar. "O Estado fornece dois e o município outros dois. O problema é que tem outros quatro que tenho que comprar, pois é preciso entrar na Justiça para a prefeitura fornecer. Um destes remédios eles pediram um exame que estou na fila pra fazer, mas ainda não avaliaram o meu processo", disse.

O leite especial para alimentar a pequenina só passou a ser 100% fornecido pela administração municipal após a família entrar com uma ação na promotoria. "Mas ainda tem a questão do pé dela, que está necrosando. Fiz o pedido de órtese e até hoje a prefeitura não forneceu nada. Sem falar no pediatra do município, que deveria vir de 15 em 15 dias, por ela não poder sair de casa, e que só veio uma vez e recomendou uma vacina que ela não podia tomar. Teve até convulsão", lembrou Aline.

O município também tem a obrigação de fornecer alguns equipamentos para a família, como o frasco para alimentá-la pela sonda, luvas, seringas. "Para tapar o buraco do kit que mandam, enchem de sonda para tapar o buraco", denunciou.

Respostas

Procurada por O TEMPO, a assessoria de imprensa da Unimed informou que o técnico de enfermagem iniciará o atendimento no domicílio da cliente no dia 25 de agosto. "A equipe de relacionamento da Unimed fez contato com a família para o repasse da informação e está à disposição para auxiliar em caso de qualquer dúvida", informou a empresa.

Já a Prefeitura de Ribeirão das Neves, por meio da Secretaria de Saúde, afirmou que acompanha de perto o caso da criança citada pela reportagem e não mede esforços para auxiliar os familiares no tratamento. "Desde o início toda a assistência foi prestada. Recentemente, de acordo com o prontuário da paciente, a mãe dela pegou parte da alimentação da criança, que é especial. Alguns produtos, porém, não foram entregues porque estão em processo de licitação", informou. 

Por fim, o município pediu desculpas pelo transtorno e se coloca à disposição para auxiliar no que for possível. Ainda neste mês, a Administração deve analisar também o pedido apresentado pela mãe da criança para a aquisição de dois remédios de alto custo.

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