Rede de transporte ideal tem Move, metrô, trem e monotrilho

Relatório do Crea sobre mobilidade considera passageiros, declividade e estrutura das regiões

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Corredor de Santa Luzia abrange Estação Vilarinho de metrô, em BH
LEO FONTES / O TEMPO
Corredor de Santa Luzia abrange Estação Vilarinho de metrô, em BH

Três monotrilhos, três linhas de metrô, três corredores de BRT e um trem metropolitano. Essa seria a rede ideal de transportes para que todas as regiões da capital e de municípios vizinhos fossem interligadas e o sistema público ampliasse sua abrangência. O diagnóstico é do Relatório de Mobilidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, elaborado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) nos últimos dois anos. O documento foi entregue na semana passada aos órgãos públicos do setor, que participaram das discussões para pensar as propostas.

Com base nos dados da Pesquisa Origem e Destino 2012, em projetos e transportes já existentes, o Crea dividiu a região metropolitana em quatro grandes corredores. Para identificar os modais adequados para cada um deles foram consideradas características como número de passageiros, declividade e estrutura das regiões (veja quadro ao lado).

Na direção de Betim, passando por Contagem, está o corredor externo a Belo Horizonte com o maior número de viagens. Conforme o relatório, o modal ideal para o local é o metrô. Já há um estudo da Metrominas para ampliar a atual Linha 1, do Eldorado, em Contagem, até Betim. Em Ibirité, o Crea também sugere o trem metropolitano, previsto pela Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana, que pretende ligar o Belvedere, na capital, a Ibirité, usando a linha férrea já existente, reduzindo o custo.

Já no corredor de Santa Luzia, atendido em parte por metrô e Move, o Crea sugere a continuação até o aeroporto de Confins, com implantação de monotrilho. O local conta com um projeto do Estado para um Sistema de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT). Em Ribeirão das Neves, a proposta é ampliar o Move até o bairro Veneza e não apenas até o Jardim Colonial, como no atual projeto.

Para a capital, o relatório propõe monotrilho nas avenidas Pedro II e Carlos Luz, apontando a região Noroeste como carente de sistemas de massa. “A gente propôs a articulação de uma rede de transporte de alta e média capacidades com o que já existe, para que a maioria da população possa usar o serviço público para circular por várias regiões”, explicou Normando Leite, um dos coordenadores do relatório. O estudo ressalta que 31% do deslocamento na região metropolitana é feito por transporte individual e 46% dos usuários acham o transporte público ruim ou péssimo e reclamam de lotação e preço das passagens.

Motorização

Dados. Entre 2002 e 2012, a quantidade de viagens na região metropolitana passou de 7,7 milhões para 13 milhões. No mesmo período, o número de carros por habitante passou de 0,24 para 0,49.

Saiba mais

Amazonas. A avenida não foi contemplada no estudo do Crea. Em sua edição desta terça, O TEMPO mostrou a existência de um projeto de BRT para a avenida. De acordo com Normando Leite, assessor do Crea, primeiro é preciso implantar a rede proposta pelo conselho para depois ver se o BRT na Amazonas é mesmo necessário.

Novos centros. A ideia do Crea é articular com a Agência Metropolitana a criação de novas centralidades, para tirar o foco do centro da capital. A intenção é que os novos centros reúnam equipamentos, como de saúde, para que viagens de longa distância sejam evitadas e os moradores sejam atendidos em seus municípios.

Fonte de recursos e impactos dos projetos serão apontados Até o fim do ano, o Crea vai incluir no relatório os impactos ambientais e sociais da implantação da rede integrada de transportes. Também serão detalhadas as propostas de financiamento, indicando as possíveis fontes de recursos e modalidades adequadas, como parcerias público-privadas. “Vamos apontar todos os caminhos no nível do planejamento para viabilizar a adoção dos empreendimentos”, destacou Normando Leite, do Crea. A implantação de toda a rede levaria até dez anos. Conforme a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), as propostas do Crea são as mesmas da prefeitura. Porém, a autarquia ressalta que a ideia do monotrilho, por enquanto, se restringe à ligação da capital ao aeroporto de Confins. Para Leite, o monotrilho é uma alternativa viável para as outras regiões da cidade. “No caso de BH, que tem uma topografia acidentada, ele é o ideal. O problema da capital hoje é a falta de um transporte de alta capacidade. A diversificação de modais permite que as pessoas possam se deslocar de acordo com as necessidades”.

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