Nem mesmo venda de roupa de frio vai segurar o comércio

Quem ainda tem peças de inverno comemora

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Inverno atrasado. Andresa e Ana Flávia passeiam pelas roupas de frio da Green Co., no Boulevard
FOTOS JOÃO GODINHO
Inverno atrasado. Andresa e Ana Flávia passeiam pelas roupas de frio da Green Co., no Boulevard

O frio dos últimos dias está aumentando as vendas nas lojas de roupas, mas não vai ser suficiente para mudar o cenário pessimista do varejo na capital. Isso porque a temperatura baixou só depois das liquidações de inverno e quando a coleção primavera-verão já começa a chegar às vitrines. “Algumas lojas estão com vendas melhores, mas é pontual. Esse frio não é um grande alavancador de vendas. O que o consumidor tinha que comprar, já comprou nas liquidações”, avalia a economista da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Ana Paula Bastos.

O primeiro semestre foi o pior em vendas desde 2010, de acordo com a entidade. Os últimos seis meses do ano são tradicionalmente melhores em razão do Natal e de ganhos extras do consumidor, como restituição do Imposto de Renda e 13º salário. A estimativa é que o setor feche o ano com crescimento entre 2% e 2,5%. A expectativa anterior era de alta de 3,5%. “As pessoas estão comprando apenas o necessário, porque tiveram aumento no custo de vida”, diz Ana Paula. Ela completa que o cenário macroeconômico não é favorável, com juros em alta, crédito mais difícil e confiança do consumidor com índices negativos. Apesar do pessimismo da entidade de classe, parte dos lojistas comemora a queda da temperatura. Na Klus do Shopping Del Rey, o movimento na primeira quinzena de agosto foi 12% superior ao do ano passado. O gerente, Wellington Anchieta Silva, diz que o percentual deve cair nos próximos dias, mas continuará positivo. Segundo ele, o período da Copa do Mundo foi muito ruim, com “ausência do frio e do cliente”. Na Damyller, do Boulevard Shopping, o clima também é de melhora. “Na primeira semana de agosto não vendemos nada de frio. Na semana passada, vendeu bastante, principalmente jaquetas”, diz a vendedora Gabriela Freitas. Na Barred’s do ItaúPower Shopping, o frio dos últimos dias ajudou a acabar com os estoques de inverno, que não venderam bem em junho e julho. “Não tem mais casacos, e toda hora tem alguém procurando”, conta a caixa Franciane de Souza.

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