Briga por Paraíba do Sul só afeta Minas indiretamente

Bacia abrange 180 municípios, mas todos os 88 mineiros atingidos captam dos afluentes

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Jaguari. Vista da represa de Joanópolis, em São Paulo, que briga por água com Rio de Janeiro
LUIS MOURA/ESTADÃO CONTEÚDO-15.8.2014
Jaguari. Vista da represa de Joanópolis, em São Paulo, que briga por água com Rio de Janeiro

Depois do impasse entre Rio de Janeiro e São Paulo, os Estados entraram em acordo sobre o uso da água da bacia do Paraíba do Sul, que também contou com o aval de Minas Gerais. Os mineiros também são banhados pela bacia, mas, mesmo se não houvesse consenso, eles só sofreriam impactos indiretamente. Dos 180 municípios cortados pela bacia, apenas 37 captam água diretamente do rio Paraíba do Sul para abastecimento, e nenhum está em território mineiro. São 26 no Rio de Janeiro e 11 em São Paulo. Em Minas Gerais, 88 municípios são banhados pela bacia, mas captam água apenas dos afluentes.  

Para o diretor executivo da Agência da Bacia do Rio Paraíba do Sul (Agevap), André Luis de Paula Marques, Minas não teria problemas de abastecimento, mesmo se fosse liberada a vazão do reservatório de Jaguari para ampliar a energia no Rio de Janeiro – a Cesp não queria isso por priorizar consumo em São Paulo. “Entretanto, é preciso pensar na gestão integrada da bacia, e não na gestão de só um reservatório”, diz.

O coordenador do curso de engenharia ambientalda Fumec, especialista na área de recursos hídricos Sérgio Augusto Roman também afirma que a disputa pela água entre os Estados vizinhos não teria impacto em Minas Gerais. “Somos afluentes, ou seja, nós engordamos o Paraíba do Sul”, diz. Ele ressalta que os problemas de abastecimento seriam fruto de falta de chuva. “Até o momento, somente Pará de Minas teve problema com água, já que a concessionária deixou de prestar o serviço”, diz.

Juiz de Fora, na Zona da Mata, está na área de abrangência da bacia. Entretanto, o diretor técnico operacional da Companhia de Abastecimento Municipal (Cesama) da cidade, Márcio Augusto Pessoa Azevedo, explica que os mananciais que abastecem o município são afluentes do rio Paraibuna, que é afluente do Paraíba do Sul. “Logo, não teríamos problema com o impasse entre São Paulo e Rio”, diz.

A briga entre Rio de Janeiro São Paulo é para ampliar a vazão das represas dos rios Jaguari e Paraibuna. Em Minas, o único município que é abastecido por Jaguari é Extrema, no Sul de Minas.

Sem planejamento. Para especialista em meio ambiente do L.O. Baptista-SVMFA, Márcio Pereira, a falta de água em cidades abastecidas pela bacia não é fruto apenas da falta de chuvas, mas da falta de planejamento. Marques concorda e diz que faltou planejamento para sistemas alternativos de captação de água.

Consumo triplicará até 2050 Rio de Janeiro. O consumo de energia elétrica deverá triplicar no Brasil até 2050, segundo o estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). De acordo com a estimativa, o país alcançará um consumo de 1.624 TWh (Terawatt-hora), contra os atuais 513 TWh. O estudo também indica que a demanda total de energia, que envolve gasolina, eletricidade, etanol e outras fontes, vai dobrar no mesmo período. A geração de energia a partir das usinas interligadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) totalizou 59.410 MW médios em junho, retração de 2,6% em relação a maio deste ano. Já a geração das térmicas cresceu 14,7%.

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