“A posição do flap pode ter contribuído com o acidente”

Paulo Villas Boas comandante e professor da Faculdade de Ciências Aeronáuticas da PUC Rio Grande do Sul

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Como o senhor analisa as suspeitas existentes até o momento sobre o acidente envolvendo o presidenciável Eduardo Campos?  

Como o senhor vê as informações sobre a ausência da gravação do áudio interno entre piloto e copiloto, e a possibilidade de fogo nas turbinas da aeronave?

Um acidente tem várias causas. A sucessão de pequenos problemas acaba gerando o grande problema. Entre esses fatores estão os humanos. Não falo em falha humana, mas na carga de trabalho excessiva. Quanto mais um piloto está em estado de fadiga, mais passível ele é de cometer um erro. Outro fator é a pressão externa. É difícil falar que alguém o pressionou para voar, mas isso é muito comum. Os equipamentos podem ter entrado em pane. Mas é difícil falar ao certo. É um avião muito moderno e seguro. São questões que a perícia terá que esclarecer, no entanto esses são fatos controláveis pelo piloto.

O senhor acredita na hipótese de o problema ter sido no momento da arremetida (desistência do pouso)?

As asas do avião são projetadas para alta velocidade. Para reduzir a velocidade, é necessário aumentar a curvatura da asa. Na arremetida tem que levar o flap para uma posição intermediária. Pode ter havido um problema na posição do flap. É algo que pode, sim, ter contribuído para o acidente.

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