Candidatos se esforçam para vencer deficiências na TV

Dilma Rousseff mostra imagem mais suave, Aécio Neves parte para o ataque à adversária

iG Minas Gerais | Larissa Veloso |

O passado de militante de esquerda de Dilma também foi lembrado
MOISES SILVA / O TEMPO
O passado de militante de esquerda de Dilma também foi lembrado

Os primeiros programas eleitorais dos candidatos à Presidência foram ao ar nesta terça às 13h e já começam a revelar as principais estratégias das campanhas. Na opinião dos especialistas, Aécio Neves (PSDB) tentou mostrar que sua disputa será com Dilma Rousseff (PT) enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será poupado. Já a candidata à reeleição mostrou um perfil mais humano e identificado com o universo feminino.  

Em seu programa, Aécio Neves afirmou que o Brasil avançou muito “nas últimas décadas”, mas piorou nos últimos quatro anos. O ex-governador de Minas usou o pequeno crescimento da economia e da geração de empregos para criticar a gestão de Dilma. Apesar disso, não fez críticas diretas ao governo Lula. “Isso mostra que o ex-presidente ainda é um nome com uma grande capacidade de transferência de votos. Aécio optou por não bater no Lula e deixar claro que a disputa é entre ele e a Dilma”, avalia o cientista político e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora Paulo Roberto Figueira Leal.

Aécio Neves atacou o seu desconhecimento diante do eleitorado. “A ideia de ele mesmo se apresentar para o telespectador vem dessa necessidade de ele se tornar mais conhecido”, avalia o diretor do Instituto Ver, que elabora pesquisas e estratégias políticas, Malco Camargos.

Já Dilma, não tem a necessidade de ser apresentada, mas pode precisar ser reinventada. De acordo com os especialistas, o PT investiu numa imagem mais suave da candidata, retratando-a como avó e mulher que cuida da casa e até do jardim. “Foi uma estratégia de humanização. Muitas pesquisas apontam que ela tem uma imagem de pessoa durona. É algo que pode dar votos em alguns seguimentos, mas tirar de outros”, avalia o professor Paulo Roberto Leal.

Para o cientista político da PUC Minas Moisés Augusto Gonçalves, mostrar esse lado humano é uma estratégia para não deixar a imagem da candidata se diluir ao lado do apoio de Lula, que apareceu em dois momentos no programa, falando sobre a importância da continuidade do governo. “A estratégia é uma tentativa de diminuir os índices de rejeição da presidente”, completa. Em comum, Dilma e Aécio tiveram as menções a Eduardo Campos, candidato do PSB à Presidência, morto em um acidente aéreo na semana passada.

Em seu programa, o PSB mostrou frases e vídeos do Campos e de Marina Silva ao som de uma trilha sonora emotiva. “Não tiveram alternativas já que a nova chapa não está definida. Fizeram o que podia ser feito e usaram o espaço para homenagear o candidato”, avaliou Malco Camargos.

PSB mostra imagens comoventes Brasília. O programa do PSB apresentou o seu candidato a presidente Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 13 de agosto, em um clima comovente. Ao som da música Anunciação de Alceu Valença, o programa mostrou cenas de Eduardo Campos cumprimentando eleitores e fazendo discursos emocionados. A frase “Não vamos desistir do Brasil” também fez parte do programa da coligação.

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